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Análise: Julio Gomes - Última dança? Champions pode ficar (de novo) sem CR7 e Messi na reta final

A Liga dos Campeões está de volta nesta semana. Quatro partidas (duas hoje, duas amanhã) irão definir os quatro primeiros classificados para as quartas de final da principal competição interclubes do mundo.

Na bolha de Lisboa, em agosto do ano passado, tivemos as primeiras semifinais de Champions sem Cristiano Ronaldo ou Messi em 15 anos. Não acontecia desde a temporada 2004/2005, a dos primeiros jogos de Messi como profissional e apenas a terceira temporada do português.

Ao menos Messi estava na bolha - para levar uma surra de 8 a 2 do Bayern, mas estava.

Nesta semana, podemos ter os dois gênios da bola eliminados prematuramente de novo, e uma reta final de Liga dos Campeões sem qualquer um deles sequer nas quartas de final - o que não acontece desde a mesma edição finalizada em 2005, já citada neste texto. Seria apenas mais um sinal dos tempos.

As partidas de ida já nos deram essa impressão, quando Mbappé e Haaland, os dois maiores expoentes da nova geração, brilharam intensamente - enquanto CR7 e Messi não fizeram nada.

Nesta terça, às 17h (de Brasília), jogam Juventus x Porto e Borussia Dortmund x Sevilla. O Borussia venceu na ida por 3 a 2, com um show de Haaland, e tentará confirmar a vaga.

Em Turim, Cristiano Ronaldo tem sobre seus ombros toda a responsabilidade de levar a Juve adiante - afinal, o cara foi contratado com esta missão, fazer da Juventus, que ganhou nove Scudettos seguidos, a campeã da Europa pela primeira vez desde 1996. O resultado da ida foi de 2 a 1 para o Porto, o que torna a eliminatória extremamente aberta.

A Juve está 10 pontos atrás da Inter no Italiano, e a chance de ganhar o décimo título parece cada vez mais remota. É imperativo reverter as coisas contra um Porto que nem é tão forte assim. "Precisamos ter cuidado para não cair na tentação de marcar logo e a qualquer custo", avisou o capitão juventino, Bonucci. "Se entrarmos para empatar, seremos derrotados", opinou Taremi, atacante do Porto.

Cristiano Ronaldo tem 27 gols em 31 jogos na temporada e 67 gols em partidas de mata-mata da Champions. O segundo colocado da lista é Messi, com 47. A distância entre eles mostra como a especialidade do português é mesmo fazer a diferença na hora H. A Juventus precisa do instinto matador de CR7 nesta terça. Senão poderemos simplesmente estar vendo uma última dança dele com a camisa da Vecchia Signora e, porque não, em uma fase decisiva de Champions.

"Última dança" que também pode ser a de Messi.

Na quarta, o Barça vai a Paris tentar reverter os 4 a 1 que sofreu diante do PSG no Camp Nou. Não veremos o tão aguardado confronto entre Messi e Neymar, pois o brasileiro segue se recuperando de lesão. Veremos Mbappé, que fez três na partida de ida.

O Paris faz uma temporada bastante instável, já perdeu seis jogos (o que nunca havia acontecido desde a aquisição do clube) e não é líder da Ligue 1. O grande jogo do PSG foi justamente o do Camp Nou. O Barcelona, por sua vez, vem melhorando. Está invicto em La Liga há 16 partidas, se aproximou do lider Atlético e conseguiu uma improvável classificação para a Copa do Rei após reverter um 0-2 da ida com uma 3-0 sobre o Sevilla.

O clube teve eleições no fim de semana e Joan Laporta, o mesmo homem que trouxe Ronaldinho para o clube, em 2003, voltará a ser presidente - o que renovou as esperanças do barcelonismo em seguir tendo Messi ao final da temporada. De uma forma geral, 'é um ambiente bem melhor do que o dos anos anteriores. Mas, pela frente, tem um 4 a 1 muito difícil de ser revertido.

Obviamente, as chances de Cristiano Ronaldo e a Juventus avançarem são bem maiores que as chances de Messi e do Barcelona. Se for confirmada a eliminação na quarta, em Paris, o Barcelona ficará fora das quartas de final pela primeira vez desde 2007 - aquela temporada foi a primeira de Messi como titular indiscutível do time.

Ainda na quarta-feira, será disputada em Liverpool a eliminatória entre um Liverpool em uma enorme crise de resultados e o RB Leipzig, da Alemanha. Bom para o time de Klopp que venceu a ida por 2 a 0 - desde então, o time perdeu três de quatro jogos na Premier.