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Análise: Julio Gomes - São Paulo mantém ritmo de competição. Isso é bom agora. Mas e depois?

Mesmo com um péssimo gramado, devido às chuvas fortes na cidade, o São Paulo conseguiu jogar bola e fazer 4 a 0 no Santos, neste sábado. Um clássico marcado pelo sotaque argentino, com Crespo de um lado, Holán do outro.

Era nítido que o técnico que sucedesse Fernando Diniz no São Paulo teria um bom caminho pela frente - aconteceu o mesmo no Athletico e no Fluminense. Os jogadores que atuam com Diniz ampliam muito o leque, passam a fazer coisas que não faziam antes, viram profissionais mais completos e confiantes.

O trabalho empacou no São Paulo em janeiro, mas agora há uma comissão técnica que a nova diretoria pode chamar de sua. O ambiente no clube é outro, o ânimo é diferente e, o melhor, não é um trabalho que começa do zero. É um trabalho que começa com uma boa herança.

Ariel Holán, que estreou hoje, pega uma roubada muito maior. Não é um Santos igual ao Santos finalista da Libertadores. Tem uma reconstrução para fazer e garotada precisando ganhar experiência.

Se o Paulistão tivesse semifinais e finais hoje, o São Paulo seria destacado favorito. Mas ainda tem muita água para rolar e o campeonato é definido em mata-mata. Os outros grandes já estarão em um estágio melhor daqui a dois meses e não têm, contra si, o peso da fila - que nitidamente paira sobre o São Paulo.

A questão é: vale jogar tantas fichas no Paulistão para sair da fila? Estamos no meio de uma temporada emendada na outra. O Flamengo, por exemplo, que é logicamente o grande favorito ao tri nacional, deu mini férias a seus jogadores. Talvez o Palmeiras faça o mesmo após a final da Copa do Brasil. Como o São Paulo chegará fisicamente a agosto, setembro, outubro?

Crespo parece entender que este não é um cálculo para ser feito agora. O depois fica para depois. O agora, há de se admitir, está bacana para o início de uma caminhada.