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Análise: Fábio Seixas - Hamilton 'surge do nada' e chega a 99 poles na F-1

Hamilton já conquistou quase tudo na F-1. Faltava, por exemplo, uma pole position em Imola. Não mais.

Apagado desde o primeiro treino livre, o heptacampeão apareceu quando precisava: no último bloco do treino classificatório. Cravou a pole para o GP da Emilia Romagna, a sua primeira no circuito italiano, sua primeira na temporada, sua 99ª na carreira.

Está a um passo da marca centenária, algo inimaginável há pouco tempo, um esculacho. "Conseguimos? Uau!", gritou pelo rádio ao ser avisado do feito.

perez e hamilton - Mark Thompson/Getty Images - Mark Thompson/Getty Images
Pérez e Hamilton após a classificação em Imola
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Ao seu lado, na segunda posição do grid, o Red Bull de Pérez. É a melhor posição de largada do mexicano. Verstappen e Leclerc saem na segunda fila.

"Não esperava ficar na frente dos carros da Red Bull, mas fomos melhorando ao longo do fim de semana", disse o inglês, já com a cabeça mais fria, ao descer do carro.

Um resultado que nos permite prever um GP apertado. No Bahrein, a Red Bull saiu na frente, mas Hamilton ganhou. Não é loucura imaginar o contrário neste domingo. Até porque, no grid, Hamilton está no 1 contra 2, com Pérez e Verstapenn na sua cola. Bottas, leão de treinos que não valem nada, sai apenas em oitavo.

O sábado em Imola teve céu parcialmente nublado, temperatura de 13°C, a primavera no norte italiano ainda flertando com o inverno.

Pela manhã, Verstappen foi o mais rápido no último treino livre, com 1min14s958, como que para lembrar a todos que a Red Bull está no jogo. Norris, Hamilton, Pérez e Leclerc vieram na sequência.

Na sessão classificatória, a agitação começou cedo. Com 5 minutos de ação, Tsunoda exagerou no ritmo na Variante Alta e arrebentou o AlphaTauri no muro. "Foi erro meu, o carro estava bom, sinto pela equipe", disse. Das dores de um estreante na F-1.

Bandeira vermelha, sessão interrompida para limpar o estrago, quem estava em volta rápida teve de voltar aos boxes.

Quando o Q1 foi retomado, todo mundo saiu à pista para marcar tempo. E a Mercedes logo mostrou serviço: Bottas foi o mais veloz, com 1min14s672, 0s283 melhor do que Hamilton. Logo atrás, Norris, Verstappen, Ocon e Pérez.

Os cortados, Raikkonen, Giovinazzi, Schumacher, Mazepin e Tsunoda. E o russo, claro, fez mais uma besteira. No fim do Q1, partiu para cima de Giovinazzi, pegou o vácuo e ultrapassou o italiano, colocando ambos em risco.

No paddock, foi grosseiro e sonso em entrevista à repórter Mariana Becker, na Band, que perguntou o que tinha acontecido. "Eu o ultrapassei, só isso", disse, com ar desafiador.

Mazepin ainda não completou um GP na carreira, mas já dá pra cravar: trata-se de um dos maiores idiotas que passaram pela F-1 em tempos recentes.

verstappen - Lars Baron/Getty Images - Lars Baron/Getty Images
Verstappen, que larga em terceiro em Imola
Imagem: Lars Baron/Getty Images

Veio o Q2, e Pérez ficou em primeiro: 1min14s716, 0s044 mais lento que a marca de Bottas no Q1. Norris novamente andou bem e ficou em segundo. Leclerc, Hamilton, Verstappen, Bottas, Gasly, Ricciardo e Ocon completaram o top 10.

Dançaram Sainz, Russell, Vettel, Latifi e Alonso. Ficou bem feio para Sainz, Vettel e Alonso, que viram seus companheiros avançar...

Então chegou o Q3, a hora da decisão. E ele finalmente deu as caras, surgiu do nada para conquistar o dia. Na primeira série de voltas, Hamilton fez 1min14s411, a melhor volta do fim de semana.

Todos entraram nos boxes, colocaram pneus novos, mas ninguém conseguiu superar a marca do inglês.

Gasly sai em quinto, com Ricciardo ao lado. Norris, Bottas, Ocon e Stroll completam o top 10.

Lembro de quando as 33 poles de Clark, o primeiro grande "poleman" da categoria, pareciam um Santo Graal, um recorde inatingível.

Hamilton hoje chegou ao triplo dessa marca. Sim, são outros tempos, são muito mais GPs por ano, os pilotos duram muito mais na F-1. Mas o feito do inglês da Mercedes é chocante. A proximidade de acrescentar um terceiro dígito a essa estatística, então, é um ponto de virada histórico para a categoria.

É exatamente isso: estamos vendo a história da F-1 acontecer.