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Pastor candidato a vereador preso por tráfico afirma que é vítima de perseguição política

Pastor candidato a vereador preso por tráfico afirma que é vítima de perseguição política

Preso apontado como chefe do tráfico de drogas, nesta quinta-feira, em uma operação conjunta da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e do Ministério Público do Rio (MPRJ), o pastor e candidato a vereador pelo PDT em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Elisamar Miranda Joaquim deixou um texto que foi publicado em sua rede social em que diz ser vítima de perseguição política por “incomodar adversários”.

O pastor é irmão de Eliezer Miranda Joaquim, o Criam, uma das lideranças da facção Comando Vermelho em Belford Roxo. O homem, que foi preso no ano passado, continuava mandando nas atividades do tráfico no Complexo do Roseiral por meio de Elisamar, de acordo com as investigações.

As investigações indicaram que o plano de eleger Elisamar vereador é uma estratégia de Criam e da facção, com objetivo dos criminosos terem maior penetração e influência nas instituições públicas. Segundo a polícia, o pastor usou toda a estrutura da associação criminosa para angariar votos, além de ameaçar e oprimir outros candidatos de fazerem campanha na região.

O candidato, no entanto, afirmou o contrário na sua rede social. “Acima de toda falsa acusação, injúria, calúnia e difamação, existe um DEUS vivo, que jamais irá me desamparar! Um pequeno desabafo da minha esposa, juntamente com amigos e companheiros de trabalho, ressaltam quê, por trás da figura de um candidato que está incomodando, existe um ser humano, amigo, pai, marido e, acima de tudo, um homem temente a Deus”, diz a publicação.

A mulher do homem, a pastora Alessandra, também postou um vídeo no perfil oficial do marido para defendê-lo. “Estamos juntos há 17 anos. Pastor Elisamar é um homem íntegro, e a justiça de Deus é que vai prevalecer”. Sucessor do irmão Cremilson Almeida de Souza, conhecido como Coroa, apontado como chefe do tráfico no Roseiral e também na comunidade Lote XV, foi preso pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense em março deste ano. De acordo com as investigações, deste modo, o controle do tráfico naquela comunidade e adjacências passou a ser exercido por Eliezer Miranda Joaquim, o Criam que, também preso, elegeu como homem de confiança seu irmão Elisamar Miranda Joaquim, o Pastor Elisamar.

O pastor, candidato a vereador em Belford Roxo nas eleições deste ano, passou então a exercer o controle do tráfico no local, sob os desígnios do irmão, segundo a polícia. Ele e os outros suspeitos presos, junto a Ronaldo Lisboa Azevedo, o Gordinho, Jonata Gomes da Silva, o Tobinha ou Paraíba, e Leone da Silva Souza, que também foi preso na ação de ontem.

Táticas de milícia  Por meio de interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, foi possível a Policia Civil identificar o modo de atuação do grupo, que incluía a prática de extorsões e ameaças, além de desvendar a hierarquia de funcionamento da organização, com a identificação das funções exercidas por cada um dos participantes. Segundo as investigações, o grupo além de controlar o tráfico de drogas também passou a desempenhar atividades típicas de milícia, como extorsão de comerciantes, monopolização da venda de cestas básicas, água e gás, cobrança de “taxa” de motoristas de vans, para que estes pudessem circular livremente pela localidade, e principalmente exploração dos moradores dos conjuntos habitacionais. Caso eles não pagassem primeiro tinham seus fornecimentos de água cortados e em último caso eram expulsos de suas propriedades.