Educação

Pesquisadores da Capes renunciam e agravam crise no Ministério da Educação

Pesquisadores da Capes renunciam e agravam crise no Ministério da Educação

A crise no Ministério da Educação se agravou nesta segunda-feira com o pedido de renúncia coletiva de, pelo menos 51 pesquisadores da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes),  órgão responsável por coordenar os programas de pós graduação nas universidades brasileiras. O motivo da renúncia, segundo carta pública assinada por coordenadores e consultores da área de Matemática/Probabilidade e Estatística, é a falta de respaldo ao trabalho de avaliação dos cursos ofertados pelas instituições de ensino.

Cabe à Capes qualificar os programas de pós graduação, atribuindo uma nota de um a sete, em 49 áreas distintas. Os cursos melhores avaliados têm mais prestígio, recebem mais recursos e participam de um número maior de programas e convênios. A avaliação quadrienal, no entanto, foi suspensa por decisão judicial, depois de questionamentos quanto aos critérios aplicados pelas comissões, formadas por professores da áreas. O tema é controverso, mas a metodologia é aplicada desde 1976, sofrendo ajustes a cada ano.

“Acreditamos que a Capes não tem se esmerado na defesa da sua forma de avaliação. Isto ficou patente nas várias manifestações da presidência e contrasta fortemente com os posicionamentos favoráveis à retomada da avaliação vindos de diversas entidades, desde a SBPC e a ABC até a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados”, diz a carta de renúncia

Outro ponto que desagrada os pesquisadores é a Apresentação de Propostas de Cursos Novos (APCN). Eles alegam que a atual gestão tem priorizado a aprovação de cursos de Ensino à Distância às pressas. “Fomos instados a escrever novos documentos a respeito em um
prazo de dois dias úteis, depois estendidos em mais uma semana. No entanto, estabelecer parâmetros para a expansão com qualidade do EaD não é tarefa para uns poucos dias de trabalho”, afirmam no documento.

A atual presidente da Capes, Claudia Queda de Toledo, é reitora e professora do Centro Universitário de Bauru, que integra a Instituição Toledo de Ensino, onde o ministro da Educação, Milton Ribeiro, se formou em Direito. Comenta-se nos corredores da Capes que a atual presidente estaria priorizando os interesses das faculdades privadas que enxergam nos cursos de  pós-graduação um filão do mercado ainda pouco explorado. 

Aos assessores mais próximos, Claudia diz que tem sido alvo de preconceito de docentes das universidades públicas por ser mulher e por vir de uma instituição sem tanto prestígio no meio acadêmico.

Na semana passada, três coordenadores da área de astronomia/física já haviam apresentado seus pedidos de renúncia alegando motivos semelhantes. “Como reiterado mais de uma vez pelos membros Colégio de Exatas, Engenharias e Multidiscipliar da CAPES, do qual fazemos parte, consideramos que uma chamada de APCN, ainda que necessária, depende da conclusão da última [avaliação] Quadrienal [2017-2020] para sua correta avaliação”, alegaram os coordenadores, segundo os quais “eventos recentes tangenciam a falta de respeito” .

Servidores também se queixam da substituição de quadros técnicos por pessoas sem a devida qualificação. Tradicionalmente, a diretoria da Capes é formada por professores com sólida formação acadêmica. A atual diretora de relações internacionais, Lívia Palumbo, é formada em direito e cursa doutorado sob orientação de Claudia Toledo.

A reportagem de VEJA pediu esclarecimentos à Capes e atualizará o texto assim que obtiver uma resposta.

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