Economia

Virgo lança braço de Venture Capital para aprimorar mercado de capitais

Virgo lança braço de Venture Capital para aprimorar mercado de capitais

A tecnologia utilizada pelo mercado de capitais ainda é lenta, custosa e pode ser melhorada. Esse é o lema de Daniel Magalhães, CEO da Virgo, empresa que vem complementar a revolução que a tecnologia tem feito no mercado de capitais por meio de fintechs e startups. Trata-de de um negócio que oferece serviços e soluções financeiras a médias empresas, principalmente acesso a crédito, por meio de um marketplace e investimentos em startups. Por meio do braço Virgo Venture, a ideia é investir até 20 milhões de reais em aproximadamente 20 startups nos próximos 12 meses. O primeiro desses aports acaba de ser divulgado: a goLiza, startup da Fisher Venture Builder, especializada em fintechs.

O investimento visa acelerar a startup, que tem o objetivo de ser uma central de cadastros e validação de poderes, de forma que tanto investidores quanto fundos não precisem ficar repetindo o cadastramento e validação de seus dados a cada proposta de investimento. De acordo com Magalhães, o processo é lento e exige funcionários exclusivos para a realização do procedimento, o que onera as empresas. Outros cinco aportes já foram feitos e serão divulgados nos próximos meses.

Com o investimento na goLiza, a Virgo pretende viabilizar o lançamento de uma plataforma que se propõe a otimizar as assembleias do mercado de capitais. Para fazer uma alteração em uma operação, por exemplo, os investidores precisam se reunir para aprová-la, fazer contagem de votos e comprovar os poderes de cada um. “Nossa meta é tornar os processos tão simples quanto um click de compra da Amazon”, diz Magalhães. “Queremos desenvolver um marketplace para simplificar etapas de diligência, como conciliação de informação, conferências inteligentes, precificação e integração entre os players do mercado”, diz Magalhães.

Nos últimos 12 meses, a Virgo Venture conseguiu captar 750 milhões de reais. Todos os 93 investidores cadastrados no market place são institucionais, entre gestores, family office, fundos privados e corretoras. A média é de um investidor por operação, as quais tem variado entre 30 milhões e 40 milhões de reais, uma indicação de que o negócio passou a ser um hub relevante no mercado.

A Virgo foi lançada este ano e é uma reestruturação da Isec Participações, empresa que oferece serviços de securitização há mais de dez anos. Em setembro de 2019, Daniel conheceu Ivo Kos, na época único sócio da empresa. Com a valores e ideias em comum, comprou uma participação de 30% da companhia e assumiu como CEO e responsável pela estratégia de transformação da companhia.

Magalhães foi sócio da RB Capital e, em 2016, vendeu 60% da empresa para uma multinacional japonesa. Em 2019, negociou todas as suas ações e resolveu tirar um “sabático” de três meses em São Francisco, nos Estados Unidos. Sempre envolvido com startups – atualmente são mais de 80 investimentos no Brasil, México, Colômbia e Estados Unidos – encontrou uma oportunidade na área de inovação do mercado de capitais, quando voltou ao Brasil.

“As empresas estão desassistidas do ponto de vista de acesso à capital, porque as pequenas empresas como fintechs são ovacionadas pelos grandes, e as grandes são assistidas pelos grandes investidores, porém o atendimento às médias é completamente desfragmentado. Há muitos intermediários no processo e o ganho acaba ficando na mão deles, e não dos investidores”, diz Magalhães. “Na essência, esse é um mercado de negócio a negócio pouco impactado por tecnologia e muito impactado por ego. Todo mundo quer ganhar em cima dos grandes investidores desse mercado”, diz ele.

Como empresas e projetos médios ele considera aqueles que precisam captar de 5 milhões a 50 milhões de reais e empresas que faturam mais de 100 milhões de reais ao ano. Suas apostas vêm dando certo e hoje a Virgo já possui 40% do market share dessa indústria e mais de 50 clientes, entre eles grandes bancos como Banco do Brasil, Itaú BBA, Banco BP, banco Bocom, BR Partners e Bradesco.

A Virgo possui 106 operações que somam mais de 11 bilhões de reais em diversas instituições e por meio de diversos instrumentos de crédito como CRI, CRA, debênture financeira e debênture de securitização de dividendos. Já a Virgo Ventures acumula 20 operações com mais de 500 milhões de reais.