Economia

"Vamos investir bilhões no Brasil", diz chefe de operações do Softbank

Até pouco tempo atrás, ninguém falava do Brasil e da América Latina como importantes centros de startups. Agora, as empresas locais estão na moda, como Rappi, Nubank e Banco Inter. O que aconteceu? A área de capital de risco na região foi sempre muito tímida, com poucos fundos atuando e valores menores investidos. A chegada do Softbank, em setembro de 2019, foi um divisor de águas, por trazer os investimentos para empresas inovadoras que precisam de um salto de crescimento. Havia o capital destinado a negócios iniciantes, com valores de 100 000 a no máximo 5 milhões de dólares. Nós entramos em etapas mais avançados das empresas e com valores maiores. Agora, outros fundos estão fazendo a mesma coisa. Na primeira metade deste ano, o investimento em startups foi cinco vezes maior do que no ano passado inteiro no Brasil.

Qual foi exatamente a participação do Softbank nesse processo? O fundo do Softbank para a América Latina começou com 5 bilhões de dólares e tudo já foi alocado. Hoje, temos mais de sessenta empresas em nosso portfólio. Recentemente, anunciamos um segundo fundo, com 3 bilhões de dólares iniciais. Como investimos capital próprio, sem dinheiro de terceiros, temos a liberdade de pensar muito no longo prazo e não precisamos devolver lucros para o investidor em certo tempo. Um ótimo exemplo foi o aporte no e-­commerce chinês Alibaba. O Soft­bank investiu 30 milhões de dólares na empresa, no começo dos anos 2000, e hoje essa posição vale mais de 100 bilhões de dólares. E chegou a valer muito mais, antes da volatilidade atual da China.

Há algumas semanas, o Softbank anunciou que pode investir outros 10 bilhões de dólares na América Latina apenas no próximo ano. Existem tantas oportunidades assim? Sabemos que haverá momentos de maior e menor liquidez, mas esperamos uma constância para os próximos anos nesse patamar que temos feito. Vamos investir bilhões na América Latina e no Brasil pelos próximos cinco ou dez anos. É um crescimento sustentável.

As instabilidades econômicas e políticas do Brasil não preocupam? Zero. No Softbank não perdemos tempo falando de política. Quando se olha de perto, a macroeconomia do Brasil nos últimos trinta anos é como um eletrocardiograma, com altos e baixos. Mas, se observar no longo prazo, geralmente aparece quase uma reta para cima.

Publicado em VEJA de 8 de dezembro de 2021, edição nº 2767