Economia

O maior IPO da história: a revolução digital do Ant Group

O maior IPO da história: a revolução digital do Ant Group

A abertura de capital do grupo chinês Ant Group, conhecida como a fintech mais valiosa do mundo, deve acontecer nas próximas semanas e, apesar de não ter certa a data exata da emissão, a empresa já movimenta investidores em todo o mundo. Esse promete ser o maior IPO da história, com a expectativa de arrecadação de 35 bilhões de dólares, valor superior ao da Saudi Aramco, a maior petrolífera do mundo em produção e reservas de óleo cru – que, na sua abertura de capital, realizada no ano passado, levantou 25,6 bilhões de dólares. O recorde anterior pertencia exatamente à Alibaba, empresa do bilionário Jack Ma que deu origem ao Ant Group. A chinesa havia arrecadado 25 bilhões de dólares em 2014. A meta de valor de mercado do Ant Group subiu de 250 bilhões de dólares para 280 bilhões de dólares após sondagem aos investidores.

Marco no mercado de capitais, esse IPO chama a atenção pelo gigantismo que a empresa chinesa ganhou nos últimos anos, mostrando que o mundo dos negócios mudou e as empresas de tecnologia são mais avaliadas do que bancos tradicionais centenários e até mesmo do que as grandes petrolíferas. O Ant Group nasceu como um braço da plataforma de comércio online chinês Alibaba, de Jack Ma, para facilitar os pagamentos digitais. Com o tempo, desenvolveu uma tecnologia ágil, com a plataforma de pagamentos digitais Alipay, de uso prático. Logo ela se popularizou no país asiático, que possui um sistema bancário estatal pesado e com poucas ofertas de crédito. De lá para cá, ampliou sua oferta de serviços e se tornou praticamente tão popular na China quanto o dinheiro. Hoje reúne em só aplicativo pagamento online e off-line, transferência bancária, crédito, financiamento, e marketplace para corretoras de seguros e produtos de investimentos.

Se, por um lado o usuário tem suas demandas financeiras atendidas de maneira rápida por meio da tecnologia do aplicativo, por outro, o Ant Group possui uma base riquíssima de dados financeiros e de hábitos de consumo dos usuários, podendo assim fazer uma conexão assertiva entre a demanda dos consumidores e os produtos ofertados pelas empresas ali cadastradas. Tudo isso é facilitado pela política de dados do governo chinês, que facilita o acesso às informações da população e ao mesmo tempo se beneficia ganhando acesso a elas. A plataforma de pagamentos Alipay, por exemplo, possui aproximadamente 1,3 bilhão de usuários e no ano passado movimentou 110 trilhões de yuans, mais que o PayPal, a maior do ramo no mercado externo à China. A área de empréstimos é a principal responsável pelas receitas do grupo, quase 40% do primeiro semestre desse ano. No total, o Ant Group possui 1,7 trilhão de yuans em empréstimos, que correspondem a 15% do mercado de crédito ao consumidor na China.

Alguns fatos peculiares do ano de 2020, o ano da Covid-19, contribuíram para despertar o interesse dos investidores nesse ramo: a China é o único país cujo PIB crescerá este ano e as ações de tecnologia disparam como nunca nas bolsas. Como obstáculo dessa valorização, está o presidente americano Donald Trump, que se ganhar as eleições dos Estados Unidos tende a colocar mais barreiras contra as empresas chinesas — e os sistemas de pagamentos do Ant Group e da sua grande rival, Tencent, são alvos. Por isso, muitos analistas gostariam de ver o IPO acontecendo antes das eleições americanas, no dia 3 de novembro. Apesar desse percalço, uma coisa é fato: a Covid-19 acelerou a transformação digital e tornou, mais do que nunca, a empresas de tecnologia no novo petróleo da nossa geração. No topo dessa cadeia, o Ant Group brilha lá do alto, gerando frenesi no mundo dos investidores. Se ele tiver confirmada a avaliação atual, estará em pé de igualdade com o JP Morgan Chase, acima do Bank of America e valendo três vezes mais que o Citigroup.

Sediado em Hangzhou, o Ant Group terá ações comercializadas em Xangai e Hong Kong. Por conta dessa listagem dupla, que indica uma escolha geopolítica importante de valorizar as duas principais bolsas chinesas, o processo ficou um pouco mais atrasado. O processo exige uma audiência em Hong Kong, que pode acontecer nesta semana e tornaria provável que a abertura aconteça uma semana depois.