Economia

O iPhone 12 vem com 5G: vale a pena comprar no Brasil?

O iPhone 12 vem com 5G: vale a pena comprar no Brasil?

Uma das grandes expectativas para o evento da Apple, que anuncia seu novo iPhone 12 no início da tarde desta terça-feira, 13, é que o aparelho vem com o suporte para velocidades de celular mais rápidas, no caso, o já famigerado 5G. O nome do evento “Hi, Speed” sugere que esta será a grande novidade. Mas se for só isso, os especialistas no assunto já sugerem que não vale comprar um novo aparelho nem nos Estados Unidos, quem dirá no Brasil, onde o governo sequer autorizou o leilão para esta nova faixa de telefonia. Apesar de ser tida como revolucionária, a tecnologia 5G ainda vai levar um tempo para funcionar do modo como foi idealizada, ou seja, rápida. E por isso alguns especialistas no assunto dizem que comprar um iPhone 12, neste ano, só por este motivo, seria desperdício. No caso do Brasil, a expectativa é de que o 5G só chegue para valer em dois ou três anos.

Nos Estados Unidos, onde o 5G já é uma realidade, a revista PC, especializada em tecnologia, mandou seus repórteres percorrerem 26 cidades americanas e em setembro eles anunciaram suas descobertas. Uma delas é que, em alguns lugares, o 4G ainda é mais rápido. O editor executivo do site The Verge, também especializado em tecnologia, Dieter Bohn, diz que mesmo sem ter visto o novo iPhone, não recomenda a compra só por causa do 5G. “Este tem sido meu conselho para cada telefone Android habilitado para 5G que foi lançado até agora, e, a menos que a Apple tenha algum modem que desafie a realidade que permite velocidades 5G em mais lugares, é o meu conselho para o próximo iPhone também”, diz.

O que dizer, então, do Brasil? O leilão das faixas deve ocorrer somente no segundo semestre do ano que vem, mesmo assim só depois de o governo brasileiro decidir qual relação quer ter com a China. Um dos principais fornecedores de equipamentos é chinês, a Huawei, e está hoje em 45% da infraestrutura de telefonia móvel. Mas, como os Estados Unidos baniram a empresa do país, alegando que eles só querem roubar dados, o governo Bolsonaro também está analisando o assunto. Isso por si só já pode encarecer a infraestrutura, restringindo os competidores. O presidente do SindiTelebrasil, Marcos Ferrari, diz que depois do leilão, a tecnologia ainda levaria de um a dois anos para estar em operação. Isso porque o 5G requer muito mais antenas do que a tecnologia 4G. A lógica é a seguinte: para ser mais rápida, não pode ter interrupção. Para não ter interrupção, precisa de várias antenas uma perto da outra. A rapidez é a grande chave do 5G, que vai permitir que downloads sejam quase que instantâneos, que a conexão chegue aos objetos: ao refrigerador, ao carro autônomo, ao braço robótico que faz cirurgias, ao arado do campo. “O 4G é como estar num engarrafamento. O 5G é andar numa avenida sem carro”, compara Ferrari.

Boa parte das empresas que fabricam celulares já vende aparelhos 5G no Brasil, como LG, Xiaomi, Motorola, Samsung e OnePlus. E algumas operadoras de telefonia fornecem o 5G  por meio de uma tecnologia chamada DSS (do inglês Dynamic Spectrum Sharing, ou Compartilhamento Dinâmico de Espectro). O DSS permite que se o 5G pegue emprestado algumas das frequências destinadas ao 4G. Mas esta velocidade de internet só é oferecida em poucos bairros de grandes cidades.