Economia

Mercado vê inflação acima do centro da meta e alta do PIB menor em 2021

Mercado vê inflação acima do centro da meta e alta do PIB menor em 2021

Já é a nona semana consecutiva que a previsão para a inflação no país em 2021 é revisada para cima por analistas do mercado financeiro. O movimento de pressão inflacionária, que era considerado passageiro em 2020, parece não ceder. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira, 8 , economistas veem a inflação a 3,98% ao fim deste ano. É a terceira semana seguida que a revisão da projeção fica acima do centro da meta de 3,75% ao ano, definida pelo governo. Além da temperatura da inflação, que é sentida diariamente pelo consumidor, os analistas também revisaram a previsão de crescimento do Brasil este ano. A estimativa foi de 3,29% para 3,26%. No ano passado, o PIB recuou 4,1%.

A inflação serve como um termômetro da economia e diversas variantes a afetam. No ano passado, o índice chegou a ter deflação entre abril e maio, devido à queda do consumo e, posteriormente, voltou a subir com o reaquecimento da economia. Com maior demanda aqui e no mundo por alimentos, além de outras variáveis como o real desvalorizado e commodities caras, os preços começaram a subir e impactaram no indicador, que fechou o ano em 4,52%, acima do centro da meta de 4% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Considerada passageira pelo governo e Banco Central, o índice de preços continua se mostrando pressionado. Os alimentos, até então, não sobem no mesmo ritmo do ano passado, mas outros produtos que pesam no orçamento como combustíveis vem subindo, pressionando os preços.

A previsão do indicador para 2021 egue dentro da margem de tolerância, de 1,5 ponto porcentual. Mas a pressão crescente deve puxar a taxa básica de juros para o alto. A Selic, atualmente em 2%, deve subir. Muitos analistas já apostam em ajuste já nesta próxima reunião, na próxima semana, e o mercado vê trajetória de alta até o fim do ano, chegando a 4%.

Além da previsão de alta na inflação, os economistas consultados pelo Banco Central também revisaram as previsões para o crescimento do PIB neste ano. Pela segunda semana consecutiva, analistas enxergam que o crescimento será menor. Nessa semana, a revisão foi de 3,29% para 3,26%. Há um mês atrás, a projeção era de 3,47%. Apesar da revisão, o mercado estima uma reação após o tombo da economia em 2020.

A escalada de casos do novo coronavírus e os percalços da vacinação são pontos de atenção para a retomada, já que o impacto do coronavírus continua presente. Estados e municípios voltaram a adotar medidas mais restritivas a fim de evitar o colapso no sistema de saúde.

A expectativa para ajudar na volta econômica depende do andamento das reformas,  essencial para melhorar o ambiente de negócios e destravar investimentos, estimulando assim a recuperação. A PEC Emergencial, medida que cria gatilhos para o ajuste fiscal em caso de crise financeira foi aprovada no Senado e deve passar pela Cãmara dos Deputados nesta semana. A PEC abre espaço para a reedição do auxílio emergencial — em menor valor e proporção que no ano passado — mas suficiente para aumentar a atenção sobre o risco fiscal do país caso o restante a agenda reformista não ande.