Economia

Como os leilões online deixam de injetar bilhões na economia

Como os leilões online deixam de injetar bilhões na economia

A compra e venda de todo tipo de produto por meio de leilões online não é novidade alguma para o consumidor brasileiro, mas há um quê de obsoleto na operação que impede o setor de movimentar bilhões na economia. É a atrasada necessidade da – pasme o leitor – presença física de um leiloeiro nas negociações, inclusive aquelas feitas pela rede.

O anacronismo faz com que um leilão aparentemente conduzido apenas pela internet ainda dependa de um funcionário credenciado supervisionando todas as operações, algo dispensável em tempo de algoritmos e inteligência artificial.

Só essa característica, resquício de uma lei de 1932, responde por 31,21% do custo de um leilão, observa um estudo da GO Associados. E isso porque os leilões virtuais, onde os compradores podem acompanhar os lances a partir da tela do celular, ainda requerem publicação em ao menos três jornais de grande circulação e o pagamento de uma taxa para a Junta Comercial.

O estudo sugere que aperfeiçoar a lei de modo a aposentar os leiloeiros aumentaria o mercado em 35 vezes e, de quebra, promoveria aumento na arrecadação do governo, seja porque a iniciativa dinamiza a economia, seja porque ela traz uma estrutura tributária unificadora.

O impacto fica mais claro quando se olha para o mercado de leilão de carros usados. Dos mais de 14 milhões de unidades vendidas em 2019, só 600.000, o equivalente a 4%, foram negociadas por meio da modalidade. Se o percentual fosse dobrado, a partir do fim da função do leiloeiro, os R$ 9 bilhões negociados chegariam fácil aos R$ 18 bilhões.

“A presença do leiloeiro é algo da Era Vargas, hoje não faz o menor sentido”, argumenta Gesner Oliveira, sócio da GO Associados. Segundo ele, a legislação atual encarece as operações, não democratiza o acesso do consumidor e, por ser muito burocrática, engessa os negócios, limitando o potencial de crescimento da atividade no país, como se observa em mercados desenvolvidos, como o norte-americano e o britânico.

O estudo ressalta: “Evidentemente, não se sugere a extinção abrupta da profissão dos leiloeiros, mas sim, se realizada de maneira gradual, pode-se observar o substancial aumento de escala do segmento de leilões no Brasil”.