Economia

Clima de intervenção nos combustíveis faz Petrobras derreter e dólar subir

Clima de intervenção nos combustíveis faz Petrobras derreter e dólar subir

VEJA Mercado | Fechamento | 29 de outubro.

Como quem é o dono da bola numa partida de futebol e ameaça de ir embora caso o desagradem, o mercado financeiro responde imediatamente quando alguém tenta interferir no preço de qualquer coisa. Não foi diferente com os combustíveis. Os estados decidiram congelar o ICMS dos combustíveis até o fim de janeiro de 2022, e o mercado respondeu imediatamente. O Ibovespa passou a negociar em baixa e fechou em queda de 2,1%, a 103.000 pontos. Quem mais apanhou foi a Petrobras. Nem o lucro pomposo apresentado pela empresa na noite anterior foi suficiente para animar os investidores. A companhia presidida por Joaquim Silva e Luna amargou um recuo de 5,9% no pregão, embalado também pela declaração de Bolsonaro de que a empresa não pode ter lucro alto. O clima de intervenção nos combustíveis não agradou.

Assim como as idas e vindas da gasolina no Brasil, as incertezas na produção de aço na China também influenciaram negativamente as siderúrgicas e mineradoras daqui, que são grandes clientes dos asiáticos. Os chineses têm interferido na produção de metais para controlar os preços e evitar um rali nas cotações em função da crise energética que enfrentam. Hoje, a cotação do minério caiu 4,7% em Qingdao, a 107,2 dólares a tonelada. Usiminas e Vale fecharam em quedas de 7,5% e 2,6%, respectivamente. “O mercado sempre vai precificar qualquer tipo de intervenção, seja aqui ou na China, assim como as falas do presidente Jair Bolsonaro de que a Petrobras teria lucrado demais. Quanto maior a intervenção, maior é o risco Brasil, o estresse e a volatilidade nos mercados”, avalia Felipe Vella, analista da Ativa Investimentos.

Na contramão da bolsa, o dólar subiu. Intervenções estatais, sejam lá de onde elas vierem, desagradam os investidores, que correm para o dólar. A moeda americana fechou em alta de 0,38%, a 5,646 reais. Dólar mais alto é sinônimo de mais dinheiro para os frigoríficos, que exportam boa parte de suas produções. Somado aos bons resultados que as companhias desse setor têm reportado, empresas como Minerva, Marfrig e JBS subiram 7,1%, 5,3% e 4,1%, respectivamente.

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