Economia

Brasil deverá ter mais de dez clubes-empresa em pouco tempo. Conheça eles

Brasil deverá ter mais de dez clubes-empresa em pouco tempo. Conheça eles

A aprovação e sanção da lei do clube-empresa, em agosto deste ano, promete abrir espaço para uma modernização do futebol brasileiro. Um prenúncio do que está por vir pode ter sido o anúncio da compra do Cruzeiro pelo ex-atacante e melhor jogador do mundo Ronaldo Nazário. O negócio foi intermediado por uma divisão da corretora XP especializada em investimentos em futebol e deve ser seguida por uma enxurrada de transformações de tradicionais times brasileiros de clubes sociais e associações sem fins lucrativos em Sociedades Anônimas do Futebol, as SAFs, categoria criada com a nova lei. Esse modelo permite a eles pedir recuperação judicial, negociar dívidas na Justiça e emitir debêntures, títulos de dívidas que podem ser comprados por investidores e financiar as equipes.

Avaliando os estudos em andamento, em pouco tempo haverá mais de dez clubes-empresa nas duas primeiras divisões do país, diz Pedro Daniel, sócio especializado nesse campo da consultoria, uma das empresas que mais têm prestado serviços para clubes nesse processo de modernização. Isso significaria 25% do total. “O mercado está bem aquecido nessa frente”, conta. A EY realizou o projeto para outro tradicional clube mineiro, o América, que já está pronto para receber investidores e, ao contrário do seu rival mais vencedor Cruzeiro, disputa atualmente a primeira divisão do Brasileirão.

Além das duas equipes belo-horizontinas, o Red Bull Bragantino é uma empresa, com investimento da empresa austríaca de bebidas Red Bull, dona também de times em Salzburg e Leipzig, na Europa, e em Nova York. O Cuiabá, grande surpresa do último campeonato brasileiro, já era uma empresa e também aproveitou para se tornar uma SAF.

Agora, uma série de outras equipes está no mesmo caminho e podem ser os próximos em pouco tempo, completando a lista dos 10 primeiros clubes-empresa nas principais divisões do país. O Botafogo, de Garrincha, Didi, Nilton Santos e tantos outros dos maiores craques da história do Brasil, já tem acordo com a XP para seguir caminho similar ao Cruzeiro. Estão também adiantados em seus projetos Chapecoense, Athletico Paranaense, Juventude e Vasco da Gama, cita Pedro Daniel. Já o Coritiba convocou para hoje uma assembleia geral extraordinária para votar a formação de uma SAF, que, no entanto, segundo a diretoria não significa o interesse de vender o clube.

Se, em pouco tempo, essas dez equipes podem todas fazer parte da lista de clubes-empresa brasileiros, a segunda divisão do Campeonato Brasileiro vai contar também com um recém-chegado para a próxima temporada. O Ituano subiu da Série C, este ano, já com esse status.

No entanto, ser um clube-empresa não é uma garantia de sucesso. Nessa mesma divisão, o time paulista enfrentou duas equipes que tinham se tornado empresas antes mesmo da nova lei e que caíram da série B depois de má gestões, o Figueirense e o Botafogo-SP, que vão permanecer na terceirona para 2022.

A expectativa, porém, é que o índice de sucesso seja maior do que o de fracassos. Um estudo da EY Sports, a divisão da EY para a área esportiva, contou que 92% dos clubes das cinco ligas mais ricas do mundo são empresas. Na Espanha, França e Itália, a mudança aconteceu de forma obrigatória por lei. Apenas Real Madrid, Barcelona, Athletic Bilbao e Osasuna são exceções, por terem demonstrado patrimônio líquido positivo desde a temporada de 1985/86.

Na Alemanha, a lei é mais restritiva contra os investimentos privados, e os clubes precisam manter mais de 50% das ações, a menos que um patrocinador esteja investindo no clube por mais de duas décadas, casos do Bayer Leverkusen, Hoffenheim e Wolfsburg, que são bancados por investidores ligados à Bayer, SAP e Volkswagen, respectivamente.

Já a liga mais poderosa do mundo, a inglesa Premier League, é a mais aberta de todas as cinco grandes ao capital estrangeiro. É a única delas em que mais da metade dos clubes tem um dono que não é do próprio país. A média das cinco ligas é de 35% dos clubes com controle estrangeiro, sendo que metade deles são americanos ou chineses. O mais comum, no entanto, são os clubes-empresa administrados por alguém ligado ao time ou empresário da região, como é o caso de Ronaldo, que explodiu para o mundo no Cruzeiro. Sendo estrangeiro ou um verdadeiro amante das cores do time, a expectativa é que os investimentos privados possa ajudar o futebol brasileiro a reviver seus tempos de mais glórias.