Economia

Ás vésperas do Natal, pouco há o que se comemorar no mercado financeiro

Ás vésperas do Natal, pouco há o que se comemorar no mercado financeiro

VEJA Mercado | Fechamento da semana | 13/12 a 17/12.

O ano vai chegando ao fim e parece que nenhum presente de Natal vai trazer de volta o bom humor dos investidores. Até mesmo o famigerado rali de fim de ano, que se transformou em rali de dezembro, deu uma pausa em uma semana marcada por turbulências no mercado internacional em função da antecipação das altas de juros nos Estados Unidos que prejudica as bolsas, como a brasileira. Sair da máxima de 130 mil pontos para os atuais 107.200 é, no mínimo, frustrante, e nem mesmo uma eventual aceleração nas próximas duas semanas, marcadas pelo menor volume de negociações em função do Natal e do Reveillón, será capaz de devolver o lucro para o investidor. No acumulado da semana, a queda foi de 0,52%, e no ano, já é de 9,9%. “Não é nada impossível encerrar o ano nos 110 mil pontos, mas é fato que a bolsa está com um deságio muito grande em relação aos países emergentes, e ainda maior em relação aos desenvolvidos. E não foi à toa. Tanto o fiscal quanto o político e o econômico pesaram no segundo semestre e afastaram os investidores”, avalia Mauro Orefice, diretor de investimentos da BS2 Asset.

A cotação do petróleo caiu no mercado internacional e a Petrobras recuou 2,3% na semana com a estagnação das economias pelo mundo a promessa de juros mais altos que podem frear o consumo nos países. Para os analistas, a tese de que os grandes bancos saem ganhando com esse cenário de juros maiores caiu por terra, uma vez que, com a desaceleração da economia, diminui também o número de operações e movimentações financeiras. Só em dezembro, Banco do Brasil e Itaú já registram baixas de 4,2% e 4,1%, respectivamente. O alento ficou por conta da Vale. O crescimento de 12% na produção de aço chinesa na primeira quinzena de dezembro ante novembro e a perspectiva de bancos como o Morgan Stanley de que o minério de ferro vai voltar a subir em 2022 melhoraram um pouco as perspectivas da mineradora que representa mais de 13% no Ibovespa. No mês, o avanço já passa de 13%.

E o dólar segue subindo. Na última semana, a alta foi de 1,26%, a 5,685 reais. O Banco Central bem que tenta jogar bilhões de dólares no mercado para tentar conter o avanço da moeda, mas é consenso entre os analistas que a pressão de saída de câmbio em dezembro é elevada, sobretudo por parte das empresas que têm sede fora do Brasil e reportam lucros e remanejam investimentos no final do ano.

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