Economia

Amaro avança no mundo tradicional e investe em megalojas

Amaro avança no mundo tradicional e investe em megalojas

A varejista de moda, beleza e lifestyle Amaro notabilizou-se por ter uma proposta diferenciada em relação às concorrentes. Em vez de lojas físicas convencionais, investiu em guide shops, unidades físicas que funcionam como showrooms. Fundada em 2012, por um ex-analista financeiro de Wall Street, o suíço Dominique Oliver, e eleita no ano passado a sétima empresa mais inovadora da América Latina pela publicação americana Fast Company, a grife decidiu agora abraçar, de vez, o comércio físico. Para contemplar as novas categorias de produtos comercializadas em seu portfólio, a empresa abrirá sete megalojas pelo Brasil, chegando a novas localidades, como Salvador, Recife, Brasília e Goiânia. Se, antes, as unidades físicas da grife serviam mais como ‘showrooms’, com tamanho de 100 a 300 metros quadrados, agora a Amaro passa a ocupar um maior lugar de destaque nos shopping centers do país, com lojas de até 1.500 metros quadrados. Ao fim do ano, serão 20 lojas da marca.

Com o intuito de ganhar mais relevância no varejo físico, as lojas vão começar a trabalhar com estoque e permitir com que as clientes saiam dos espaços com sacolas dos produtos comprados no ato. Antes, a estratégia de falta de estoque fazia com que os itens fossem entregues diretamente na casa das consumidoras, o que funcionava bem em São Paulo. Mas essa inovação virou um problema a ser enfrentado depois da expansão nacional. “Os guide shops menores funcionam muito bem em São Paulo, onde a gente consegue usar as unidades para entregar no mesmo dia. No Recife, por exemplo, a gente levava de quatro a cinco dias para chegar na casa da cliente, o que já não é tão legal assim”, diz Oliver, CEO da Amaro. “Hoje, uma de cada quatro transações tem como origem o guide shop. Com esse investimento, a gente está indo para uma a cada três vendas.”

O número de opções de produtos nas lojas passa de 300 para 3.000 — na internet, são 10.000 itens distintos. Com maior sortimento, a empresa pode para maximizar o tempo de entrega de compras feitas pela internet e estimular a logística reversa de forma presencial. “Nós estamos em um país em que 11% das vendas são feitas no e-commerce. Ou seja, 89% das transações ainda são feitas no varejo físico. Portanto, entendemos que a Amaro deveria ter mais força nesse canal e aproveitar isso para impulsionar nossa estratégia presente em diversos canais ao mesmo tempo”, disse. “A nossa ambição é que as pessoas possam experimentar mais a marca, o que vai gerar mais frequência de compra.”

Para Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, é cedo para afirmar que a empresa irá entrar de cabeça na briga com as redes populares do mercado da moda no Brasil, como Renner, C&A e Riachuelo. “Ela vai incomodar muito as operações especializadas, mas, quando falamos das grandes redes, a Amaro ainda não tem massa crítica para incomodá-las”, diz Serrentino. Uma coisa é certa, a sua expansão promete balançar algumas grifes de nicho, caso de Restoque e do grupo Soma, que recentemente adquiriu a tradicional Cia Hering.