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Brasil libera agrotóxicos banidos há mais de 20 anos na Europa

Brasil libera agrotóxicos banidos há mais de 20 anos na Europa

A boiada dos agrotóxicos está passando cada vez mais livre no Brasil. Desde que assumiu a presidência, em janeiro de 2019, o governo Bolsonaro já autorizou mais de 1.250 substâncias prejudiciais à saúde e ao meio ambiente a serem usados livremente na agricultura. Muitas delas estão proibidas na União Europeia há 20 anos.

Entre as substâncias aprovadas pelo governo Bolsonaro estão o herbicida Tebuthiuron, banido da União Europeia em 2002. De acordo com pesquisas, o agrotóxico pode provocar danos ao meio ambiente e à saúde por anos. Ele afeta a água e pode causar alterações hormonais em peixes que tiverem contato com suas moléculas.

p?c1=8&c2=6035191&c3=193891&cj=1&rn=1627063252613 - Brasil libera agrotóxicos banidos há mais de 20 anos na EuropaEm 2019, o Tebuthiuron foi liberado para ser usado em mais de 20 produtos usados nas lavouras brasileiras, assim como outro herbicida, o Ametrina, que cientistas associam ao câncer de próstata e ovário, e o inseticida Clorfenapir, vetado em 2001, mas agora servido à mesa com alho, amendoim, batatas, cebolas, tomate e uma série de outros alimentos.

São moléculas muito antigas, que correspondem a 70% do total liberado. E muitos foram autorizados no Brasil depois de terem sido banidos em outros países. É uma vergonha um país fazer papel de lixeira”, afirmou Sonia Corina Hess, professora de Engenharia Florestal e Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), à “Rede Brasil Atual”.

De acordo com a revista “Veja”, das 493 substâncias aprovadas em 2020, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) considera que 25 são tóxicas para a saúde e 251 são prejudiciais ao meio-ambiente. A publicação alerta que, no momento em que um número muito alto de substâncias perigosas estão sendo liberadas, a fiscalização sobre esses produtos têm sido inadequada.

Quais são as garantias do consumidor de que o produto vendido cumpriu os padrões de qualidade, desde o plantio até a chegada na gôndola dos supermercados? Como saber se o produto não foi contaminado por algum pesticida além do recomendado? Nada disso fica claro sem que o Ministério da Agricultura realize o devido controle”, reflete Renato Godoy, presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Alimentos (AbraFood), em entrevista à revista.

No fim do ano passado, um levantamento mostrou que o Brasil é o segundo maior comprador de agrotóxicos fabricados na Europa, mas proibidos pela União Europeia. Apesar disso, os alimentos produzidos em países que utilizam as substâncias muitas vezes é importado pelas nações europeias.

É o ciclo do veneno. Sabemos que esses agrotóxicos são perigosos, mas os vendemos e externalizamos os impactos de nosso próprio consumo. Enquanto isso, camponeses, indígenas e pessoas que vivem próximas ao campo sofrem no Brasil”, comentou um dos autores da pesquisa, Laurent Gaberell, da organização suíca Public Eye.