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Presidente da Rússia Valdmir Putin se junta ao combate as mudanças climáticas

Vladimir Putin reconheceu o impacto potencial das mudanças climáticas | Foto: Livekindly

Vladimir Putin, presidente da Rússia, está começando a levar a sério os efeitos das mudanças climáticas. A Rússia, que ocupa o quarto lugar nas emissões de gases de efeito estufa do planeta, aderiu oficialmente ao Acordo de Paris após um atraso de três anos.

O histórico de Putin ela relação a crise climática tem sido instável. Durante uma conferência climática em 2003, o presidente brincou que a Rússia poderia mesmo tira proveito de um clima mais quente para que o país pudesse cultivar mais grãos e seus cidadãos pudessem gastar menos em roupas de inverno.

Em 2017, Putin declarou que as mudanças climáticas não são antropogênicas (causadas pela atividade humana). “O aquecimento já havia começado na década de 1930”, disse ele durante um fórum do Ártico realizado em Arkhangelsk, na Rússia. “Foi quando não havia fatores antropológicos, como emissões, e o aquecimento já havia começado”.

Ele acrescentou que a humanidade não deve tentar parar as mudanças climáticas, mas sim, se adaptar a elas.

O clima da Terra mudou continuamente desde que o planeta se formou há 4,5 bilhões de anos atrás. No entanto, as mudanças climáticas registradas desde a industrialização são mais frequentes e mais drásticas. O WWF escreve em seu site: “O aquecimento rápido que estamos vendo agora não pode ser explicado por ciclos naturais de aquecimento e resfriamento. O tipo de mudanças que normalmente aconteceriam ao longo de centenas de milhares de anos estão acontecendo em décadas”.

A taxa média de aumento do nível do mar de 1993 a este ano é de 3,2 mm por ano. No entanto, de maio de 2014 a 2019, esse número subiu para 5 mm por ano.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o período de cinco anos de 2014 a 2019 é o mais quente já registrado.

Os comentários de Putin de 2017 de que as mudanças climáticas não são provocadas pelo homem, vão contra a palavra da maioria dos cientistas do mundo. Uma maioria de 97% dos cientistas especializados em clima concordam que os padrões climáticos do século passado foram impulsionados pelas atividades humanas.

Rússia e o Acordo de Paris

A Rússia assinou o Acordo de Paris em 2016. O compromisso une a maioria dos países do mundo com o objetivo comum de manter o aumento da temperatura global bem abaixo de 2 graus Celsius. Especialistas dizem que, se o aumento da temperatura exceder esse valor, os sintomas das mudanças climáticas, como o aumento do nível do mar e eventos climáticos extremos, piorarão severamente.

A Rússia não ratificou o acordo por anos. Representantes russos citaram a falta de entendimento sobre o impacto do Acordo de Paris na economia russa como a razão do atraso. A economia do país depende fortemente de combustíveis fósseis, que são os principais impulsionadores da crise climática.

No entanto, o impacto das mudanças climáticas na Rússia se tornou mais difícil de negar. Um relatório recente descobriu que a temperatura média no maior país do mundo aumentou 0,47 graus Celsius por ano entre 1976 e 2018. Isso é 150% mais rápido que o aumento da temperatura média global.

Putin disse em julho que a Rússia está “sendo mais atingida” pelas mudanças climáticas. O primeiro-ministro do país, Dmitry Medvedev, ratificou o acordo no mês passado.

Medvedev disse que a Rússia assinou o acordo com preocupação de que as mudanças climáticas possam interferir no setor agrícola do país e colocar em risco aqueles que vivem em regiões com permafrost ou pergissolo (o tipo de solo encontrado na região do Ártico, é constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados, ou seja: solo permanentemente congelado).

Como parte do acordo, a Rússia trabalhará para reduzir as emissões de 25 a 30% abaixo dos níveis de 1990 até 2030. A ONG Climate Action Tracker diz que esse compromisso é “criticamente insuficiente” para manter o aquecimento abaixo de 2 graus Celsius. Putin manteve sua posição de que a crise climática não é causada pelo homem.

Outros países estão avançando em direção a seus objetivos climáticos. A iniciativa de plantio de árvores da Etiópia foi lançada para combater as mudanças climáticas. O país recentemente plantou mais de 350 milhões de árvores em um único dia, quebrando um recorde mundial no processo.

A Noruega se tornou o primeiro país a proibir biocombustíveis à base de óleo de palma no ano passado, em uma tentativa de reduzir o desmatamento.

O Canadá está criando dois santuários marinhos no Oceano Ártico para ajudar a combater as mudanças climáticas e proteger os ecossistemas.