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Covid-19 pode reduzir o número de chimpanzés, gorilas e orangotangos

Covid-19 pode reduzir o número de chimpanzés, gorilas e orangotangos

O alerta vem de cientistas do “The Great Ape Health Consortium” (Consórcio de Saúde dos Grande Primatas)

Bonobos, considerados chimpanzés anãos, e outros grandes primatas correm risco de pegar covid-19 devido à semelhança com DNA humano. Foto NauticalVoyager/Pixabay

Chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos (considerados chimpanzés anãos) compartilham cerca de 98% do DNA humano e por essa razão são suscetíveis a doenças que afetam as pessoas. Alguns estudos de vírus anteriores mostraram que os mesmos patógenos que produziram sintomas leves em humanos foram letais para grandes símios no passado, como o ebola, por exemplo.

Por isso, o The Great Ape Health Consortium, organização científica internacional voltada para a saúde dos grandes primatas, publicou na revista Nature, na última terça-feira, 24 de março, um comunicado pedindo medidas preventivas drásticas para salvaguardar a saúde destes animais. A carta é assinada por 26 pesquisadores de instituições de todo o mundo.

Segundo matéria do portal “O Eco”, “o fato da covid-19 ser fatal para alguns humanos leva os especialistas a temer que isso possa ser devastador para os grandes macacos, embora ainda não tenham sido registrados casos de contaminação”. Todos os grandes primatas já correm risco de extinção devido à destruição de seus habitats e à caça. Uma doença como a covid-19 poderia dizimar populações inteiras desses animais.

Como medida de prevenção, os pesquisadores sugerem o fechamento de parques nacionais, reservas e zoológicos. Parques nacionais no Congo e Ruanda já fecharam para turistas e pesquisadores, mas sem a presença humana, aumenta o risco de que esses animais sejam caçados.

“Na situação atual, recomendamos que o turismo para observação de grandes macacos seja suspenso e a pesquisa de campo reduzida, sujeita a avaliações de risco para maximizar os resultados de conservação (por exemplo, a caça furtiva pode aumentar com menos pessoas nas proximidades). Tais esforços devem incluir formas de compensar a perda de ganhos com o turismo, tomando o cuidado de não interferir no trabalho para salvar vidas humanas”, dizem os especialistas no comunicado.

O número de gorilas-das-montanhas sobreviventes tem aumentado, com cerca de 1.000 indivíduos vivendo agora na República Democrática do Congo e Uganda, e a espécie foi transferida de criticamente ameaçada para ameaçada. “É o único grande macaco que se acredita estar aumentando em número. Mas estes ganhos recentes podem ser rapidamente revertidos se o covid-19 for introduzido nessas populações, por isso a proteção é fundamental neste momento crítico”, argumentam os pesquisadores.