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Continue comendo carne e ajude a destruir o meio ambiente

Continue comendo carne e ajude a destruir o meio ambiente
Pixabay

Para quem já pesquisou sobre o impacto da agropecuária no meio ambiente, não é nenhuma novidade que o setor é um dos maiores responsáveis pelo desmatamento não apenas da Amazônia, mas de diversos biomas brasileiros. Afinal, a tradição no Brasil é criar animais para consumo em sistema extensivo, com cada animal ocupando área média de 1,5 hectare.

Com o aumento no rebanho, que hoje já ultrapassa 213,5 milhões de bois (segundo o IBGE), ou seja, número superior à população humana do país, assim como a degradação de pastagens, a tendência é a agropecuária ocupar cada vez mais terras virgens de áreas antes intocadas pela necessidade de preservação ambiental.

Agropecuária na contramão da sustentabilidade

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Hoje, mais do que nunca, há farto material disponível, apontando o quanto esse segmento econômico está na contramão da sustentabilidade. Até porque, além do desmatamento, é importante considerar que cada animal libera de 30 a 50 galões de metano por dia – gás do efeito estufa considerado até 30 vezes mais potente que o dióxido de carbono.

Mas se você acha que tudo isso é exceção, é válido ponderar que esta semana o Greenpeace divulgou um relatório apontando que as maiores indústrias de carne do país compraram milhares de bois criados em áreas de desmatamento ilegal na Amazônia.

Grandes indústrias financiam desmatamento ilegal

A denúncia inclui JBS, Marfrig e Minerva Foods, e talvez tenha demorado a vir à tona porque os animais criados em áreas ilegais e comprados por essas empresas, dando origem à carne que você consome, eram transportados de uma fazenda para outra, na tentativa de apagar rastros de origem e trânsito de animais.

Segundo o Greenpeace, as três indústrias que ocupam papel de destaque no cenário global de carne vermelha compraram animais transportados da Fazenda Barra Mansa para a Fazenda Paredão, situada no Parque Estadual Ricardo Franco, alvo de desmatamento. O proprietário das fazendas foi identificado como Marcos Antônio Assi Tozzatti.

No relatório, o Greenpeace conclui que nenhum frigorífico ou supermercado no Brasil pode garantir que animais criados comprados a partir da Amazônia brasileira seja livre de desmatamento. Ademais, é importante entender que ninguém desmataria a Amazônia ilegalmente para criar animais se não houvesse um mercado consumidor. Ou seja, continue comendo carne e ajude a destruir o meio ambiente.

Exploração ilegal pela agropecuária já é antiga

Em 2017, o IBGE apontou que o Brasil já contava com mais de 350 milhões de hectares ocupados pela agropecuária – mais de 40% do território brasileiro, não incluindo apenas áreas agricultáveis.

A pesquisadora da Embrapa, Sandra Furlan Nogueira, informou que à época 172 milhões dos mais de 200 milhões destinados às pastagens já sofriam as consequências da degradação associada ao mau uso da terra. Isso pode explicar o interesse cada vez mais crescente de agropecuaristas de várias regiões do Brasil pelas terras ainda virgens da Amazônia.

No entanto, tal interesse não é recente considerando que a floresta amazônica se manteve intacta só até a década de 1970, quando a quantidade de gado equivalia a um décimo do rebanho da atualidade, como observado pelo documentário “Sob a Pata do Boi”, de Márcio Isensee e Sá, de 2018.

Com o passar dos anos e a intensificação do desflorestamento, hoje encontramos uma área que pode ser comparada à extensão territorial da França desmatada. Desse total, 66% transformada em pasto – denuncia o filme.