Vida

Conselho de Medicina Veterinária faz alerta sobre aumento do abandono de animais nas férias

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) faz um alerta sobre o aumento do número de animais abandonados durante o período de férias. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), há atualmente 30 milhões de animais abandonados no país, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães.

Foto: Pixabay

“Eu vejo como um grande problema o descaso das famílias que têm um animal dentro de casa, que dizem que criam um gato ou um cachorro, e aí chega num momento de viagem, simplesmente soltam o animal”, alerta a médica-veterinária Cristiane Schilbach Pizzutto, presidente da Comissão de Bem-Estar Animal do CRMV-SP.

Atualmente, serviços de hospedagem em hotéis para animais e de pet sitter – uma espécie de “babá” que cuida do animal na casa do tutor – são soluções viáveis para famílias que querem viajar e não têm com quem deixar o cachorro ou gato.

“Tem muitos animais que ficam doentes por problemas psicológicos, consequências do abandono, da falta, da tristeza, quase uma depressão. Então, o abandono é muito prejudicial para os animais”, afirma Thomas Faria Marzano, presidente da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais do CRMV-SP. As informações são do portal Itu.

Além disso, após ser resgatado e tratado, o animal pode sofrer algum tipo de dificuldade de adaptação ao novo lar, o que demanda paciência dos novos tutores. “Ele consegue se adaptar, mas existe realmente uma memória, uma lembrança do que ele passou no momento de abandono, que pode dificultar o processo em uma nova casa. E o que agrava demais é quando o animal é abandonado pela segunda vez. Aí, realmente, fica muito complicado. Ele tem uma grande dificuldade de se adaptar numa terceira família. É claro que é possível, mas o trabalho da família, que vai envolver toda esta adaptação, é maior”, explica Cristiane.

“Geralmente, abandonam os animais por agressividade, por exemplo, o animal que mordeu alguém da família. Ou que traz algum tipo de transtorno, como latir demais, ou que frustra as expectativas dos tutores. Às vezes, a pessoa compra, adota ou cria um animal tendo uma expectativa sobre aquela espécie, aquela raça, e quando vai ver, tem um comportamento completamente diferente e a pessoa não quer mais, abandona. Então, são vários os fatores pelos quais as pessoas ‘devolvem’, não somente um específico”, conta a profissional.

Animais doentes também são vítimas frequentes de abandono. No momento em que mais precisam dos tutores, eles são descartados. “A gente vê muito isso em universidades, principalmente naquelas que têm curso de Medicina Veterinária. As pessoas levam o animal ao hospital, pagam o médico-veterinário e descobrem alguma doença que vai exigir tratamento, às vezes mais oneroso, então preferem descartar o animal”, diz.

“Para quem está decidindo ter um animalzinho em casa, uma das coisas que tem que saber é que é um ser vivo, ele é dependente. Ele não vai pegar comida sozinho, não vai tirar o cocô sozinho, não faz xixi na privada. Ele precisa do ser humano. Então, é muito importante as pessoas terem consciência disso”, aconselha Marzano.

O profissional lembrou ainda que, ao resgatar um animal da rua, muitas vezes debilitado, é preciso ter cuidado para garantir a saúde do animal. “Sempre que se adota um animal ou pega da rua, de alguma ONG ou abrigo, é muito importante que leve a um médico-veterinário. Assim, mesmo não conhecendo o histórico, os tutores poderão saber, mais ou menos, a idade que o animal tem, fazer os exames, para aí sim poder cuidar bem dele. Muitas vezes, o animal pode estar desidratado, desnutrido, com alguma doença bacteriana ou até mesmo viral. Por isso, até mesmo antes de colocar ele para morar junto com outro animal, se já tiver um, ou alguma criança em casa, o ideal é ter esse cuidado”, orienta Thomas Marzano.


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