Vida

Camelos são amarrados e içados por guindastes em mercado de animais no Sudão

Foto: AFP/Getty Images

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Animais não são produtos para serem comercializados, são vidas, seres capazes de sentir, sofrer, criar laços e compreender o mundo ao seu redor. Mas o ser humano insiste em precificar, vender e comprar esses seres, condenando-os à vidas de escravidão e sofrimento por lucro e ambição desmedidas.

A indústria do comércio de camelos do Sudão é um exemplo flagrante dessas cruéis transações comerciais. O negócio permaneceu estável, apesar da recente agitação política do país, que viu Omar al-Bashir afastado após três décadas governando o país com mão de ferro, segundo informações do Daily Mail.

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Comerciantes de toda a nação africana visitam diariamente o mercado de camelos de El Molih, na cidade de Omdurman, a oeste da capital Cartum, para comprar e vender grupos inteiros do animal do deserto.

Alguns camelos são enviados para matadouros de carne, enquanto aqueles que são considerados “superiores” são exportadas para países do Golfo, como Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, para participar de corridas que envolvem apostas de milhões de libras.

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Transportar o animal imenso é uma tarefa difícil, agora os comerciantes estão usando um guindaste móvel para levá-los até os caminhões.

As fotografias recentes mostram um dia normal no mercado de animais, onde camelos são içados por um guindaste móvel, com as patas dianteiras e traseiras fortemente amarradas para restringir seus movimentos.

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Os animais do deserto, notavelmente aterrorizados, são então transportados para a parte de trás de carrocerias de caminhões com destino ao Egito, Israel ou nações do Golfo.

O preço de cada camelo depende da finalidade da venda do animal.

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Um camelo vendido para a indústria de carne tem seu valor fixado em 60 mil a 90 mil libras sudanesas (cerca de 5 mil reais).

Mas os camelos destinados às corridas nos países do Golfo podem ser vendidos por até 1,5 milhão de libras sudanesas (em torno de 120 mil reais) cada.

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Após a deposição de al-Bashir em abril, muitos comerciantes de camelos nem perceberam a maior agitação política do país em décadas.

Ahmed Mohamed Ahmed, vendedor de camelos, disse: “Com ou sem Bashir, este país é o mesmo para nós”.

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“Tudo o que estamos interessados em saber é se o preço dos animais sobe ou desce”, acrescentou.

Ali Habiballah, 52, outro comerciante de camelos, disse: “Que protestos? Temos tudo o que precisamos no deserto – água, comida e animais, não temos exigências”.

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Seu filho acrescentou: “Não nos importamos com política. Eu nem vou a Cartum (capital do país)”.

O Sudão foi abalado pela primeira vez pela crise política desde 19 de dezembro, quando os protestos contra a triplicação dos preços do pão eclodiram contra o então governo de Bashir.

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