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Assessor parlamentar do PSL atira em cachorro em Campos do Jordão (SP)

Assessor parlamentar do PSL atira em cachorro em Campos do Jordão (SP)
Arquivo pessoal

O assessor parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodolfo Laterça, atualmente ligado ao gabinete do deputado Anderson Moraes (PSL), atirou em um cãozinho da raça golden retriever em Campos do Jordão (SP). A denúncia foi feita pelo tutor do cãozinho, Bernard Contipelli, dono de uma pousada que fica ao lado do imóvel do assessor na cidade, que chamou a polícia. O caso aconteceu no dia 21 de fevereiro.

Bernard conta que o cachorrinho é adestrado e está acostumado a interagir com crianças e hóspedes. Ele explica que ficou assustado ao perceber que o cachorro estava ferido. “Estava chovendo e o cachorro estava brincando com as crianças que estavam hospedadas na pousada. De repente, ouvimos um barulho, como um raio, fui procurar pelo cachorro e o encontrei ensanguentado”, disse em entrevista ao G1.

O cachorro imediatamente foi encaminhado para atendimento veterinário, onde foi identificado uma perfuração por bala. O golden teve duas paradas cardíacas e precisou ser submetido a uma cirurgia de emergência. “Eu percebi no atendimento que ele tinha duas perfurações, de entrada e saída, e submeti a um exame que constatou a presença de pólvora”, explicou o veterinário que atendeu o caso, Francisco Rodrigues.

Após socorrer o cachorro, Bernard voltou para pausada para tentar descobrir quem tinha cometido o ato cruel contra o cãozinho. Ele foi informado que o golden teria entrado rapidamente na propriedade vizinha e sido alvejado. No mesmo instante ele chamou a polícia para Laterça, mas o assessor se recusou a se identificar e receber os policiais. No entanto, após a identificação ser feita, a polícia expediu um mandado de prisão que foi cumprido na última sexta (28).

Na casa de Laterça foi encontrada a arma utilizada para ferir o cachorro. O assessor se apresentou na delegacia e tentou justificar o ato afirmando que supostamente o cão teria entrado em seu quintal e assustado suas filhas enquanto sua família estava de férias na cidade. Sem outra forma de se “defender”, ele sacou a arma e atirou no golden, que não possui nenhum histórico de agressividade.

Arquivo pessoal

Ele afirmou ainda que o tiro foi dado apenas para assustar o animal e que não percebeu que o cãozinho tinha sido baleado. Ele foi liberado e responderá ao processo em liberdade. Laterça tem porte de arma porque fez carreira como Inspetor de Segurança da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro. No entanto, o revólver continuará apreendido durante a investigação.

Rodolfo Laterça está ligado do gabinete do Anderson Moraes (PSL) desde fevereiro de 2019. Em nota, o deputado afirmou apenas que repudia qualquer forma de violência contra animais A investigação segue em andamento. O cãozinho já teve alta e passa bem.

Crime

No Brasil, crimes contra animais estão previstos na lei 9.605 de 1998. Uma vez acusado, o responsável pode ser punido com multa e até um ano de detenção. No entanto, em uma entrevista à Agência de Notícias de Direitos Animais, o advogado criminalista e consultor da ANDA Sérgio Tarcha explica que existe um novo projeto que torna a pena de crimes de maus-tratos mais rigorosa.

Segundo Tarcha, apesar de trazer avanços, crimes contra animais ainda não são vistos com gravidade pela Justiça. “A pena, hoje, é de 3 meses a 1 ano de detenção, ou seja, é nada. A lei que regula a matéria é a lei de crimes ambientais, 9.605/98, a nova lei, 11.210/18, que já foi aprovada pelo senado eleva para 1 a 4 anos de detenção, mais a multa. Ainda continua muito branda a legislação, em outros países é muito mais severo”, disse.