Política

Ricardo Salles e o secretário José Bertotti trocam farpas durante reunião sobre vazamento de óleo no Nordeste

Ricardo Salles e o secretário José Bertotti trocam farpas durante reunião sobre vazamento de óleo no Nordeste

Em agenda no Recife nesta terça-feira (22) para monitorar a situação do vazamento de óleo no litoral pernambucano, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo), participou de uma reunião com o secretário estadual de Meio Ambiente, José Bertotti (PCdoB). O clima entre os dois não foi nada amistoso como observou o editor-executivo do Jornal do Commercio Felipe Vieira no local. A reunião a portas fechadas, por exemplo, durou apenas 10 minutos. Após a reunião, somente o ministro falou com os repórteres presentes.

O “climão” ficou evidente quando Salles disse que uma associação da indústria de cimento fez um acordo para receber o material coletado do mar para incinerá-lo, o secretário do governo Paulo Câmara (PSB) afirma ao ministro do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que há 237 toneladas de óleo no Centro de Tratamento de Resíduos em Pernambuco (CTR), localizado em Igarassu, e que o pessoal quisesse buscar o material poderia ir até o local. “Buscar eles não vão”, respondeu seco Salles.

Ricardo Salles 2 - Ricardo Salles e o secretário José Bertotti trocam farpas durante reunião sobre vazamento de óleo no Nordeste

Apesar de protagonizado embates nas redes sociais com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), Salles disse que não é o momento de “politizar” a crise ambiental que atinge o Nordeste. “Isso não é momento de polemizar e nem politizar. Esse é o momento de unir esforços e resolver o problema, e é isso que estamos fazendo”, disse.

Questionado sobre a fala de Paulo Câmara de que as ações do governo Bolsonaro eram de “improviso”, o o ministro rebateu. “Nós não estamos perdendo tempo com discussões que não são, efetivamente, para resolver o problema, para recolher e destinar, e continuar monitorando, investigando as causas desse incidente”, afirmou.

Venezuela

Ricardo Salles disse que a Petrobras recolheu amostras do material e que foi “detectada a coincidência desse óleo encontrado no litoral brasileiro com o óleo específico da Venezuela”. “Inclusive de dois ou três poços que são as potenciais origens desse óleo. Isso não quer dizer que esse óleo veio vazando até aqui. Simplesmente, de que é um óleo extraído de poços venezuelanos”, ressaltou.

Aos jornalistas, o ministro disse que o governo federal “não deixou de adotar nenhuma medida” e “envidou todos os esforços e continua fazendo isso” para conter as manchas de óleo.

“O governo federal desde do início das manchas (de óleo), no começo de setembro, colocou todas as equipes do Ibama, Marinha, Petrobras, ICMBio, todos dedicados a reconhecer, fazer o monitoramento dessas mancha e o recolhimento. A Marinha do Brasil desde do início em contato com outras guardas marinhas de outros países para fazer o reconhecimento e a identificação da origem desse óleo. Fizemos também as análises laboratoriais desde do início, fizemos a correlação com aqueles barris que apareceram na costa”, disse o ministro.

Segundo o chefe da pasta do Meio Ambiente, há apenas um ponto com resíduo de macha sendo retirado após vistoria o litoral do Estado e que um “grande efetivo da Marinha, da Aeronáutica, do Exército, da Defesa Civil, do Ibama, e de voluntários” trabalham para retirar o material. O ministro ainda agradeceu o trabalho dos voluntários.

Sobre a destinação do óleo, o ministro disse que há a hipótese também do material ser levado para aterros próprios ou para a indústria siderúrgica.