Política

Nomeação de padrinho de Flávio Bolsonaro para legado olímpico irrita militares

Nomeação de padrinho de Flávio Bolsonaro para legado olímpico irrita militares

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A indicação de Marcelo Reis Magalhães para o posto mais alto do recém-criado Escritório de Governança do Legado Olímpico (EGLO) vem gerando forte incômodo entre os militares que ocupam boa parte dos postos de comando da Secretaria de Esporte. Magalhães, que foi empresário das gêmeas Bia e Branca Feres, do nado sincronizado, é amigo de infância e foi padrinho de casamento do senador Flávio Bolsonaro (sem partido), filho do presidente Jair Bolsonaro.

“Posso te assegurar que isso (ser amigo do senador) jamais contou. Acho que o que contou é o entendimento de uma das plataformas mais importantes desse país. Minha relação é boa com todos no meio, sou uma pessoa do bem. Recebi uma ligação direta do presidente Jair Bolsonaro me convidando”, disse Magalhães ao Olhar Olímpico.

De fato, ele é figura conhecida no mercado esportivo, principalmente pelo seu trabalho para captação de recursos. Jornalista que nunca atuou na área, Magalhães trabalhou com promoção em rádios FM do Rio antes de chegar ao esporte. No seu currículo constam trabalhos com a imagem de Flávio Canto, Anderson Silva, Isaquias Queiroz, Fabiana Beltrame e as gêmeas Bia e Branca, além de produtos como o programa Gigantes de Nazaré, de surfe, exibido no Esporte Espetacular.

O que incomoda os militares, porém, não é exatamente seu currículo, nem seu perfil de bolsonarista “raiz”, mas a entrega do legado olímpico para alguém que não prestaria contas ao secretário especial do Esporte, general Décio Brasil. A informação que chegou até eles é de que Magalhães terá total liberdade para fazer as indicações para os outros 26 cargos de comissão existentes na novíssima EGLO, o que o empresário nega – ele diz que nada disso foi discutido, ainda. Os militares até aceitariam o nome de Magalhães, desde que controlassem os demais postos.

De março de 2017 até junho deste ano, o legado olímpico foi gerido por uma autarquia, a AGLO, que tinha mais de 150 cargos comissionados, sendo 95 deles ocupados quando a autarquia foi encerrada. Seu presidente, Paulo Márcio Dias Mello, respondia ao ministro do Esporte e, quando o ministério acabou, passou a responder ao ministro da Cidadania. Sua demissão, porém, já demonstrou falta de sintonia entre os militares que cuidam do esporte e o ministro Osmar Terra e o interesse dos militares em ocuparem o comando do legado.

Quando a autarquia foi encerrada, a secretaria do Esporte foi pega de surpresa, uma vez que existia a expectativa que o presidente Bolsonaro renovasse sua validade. Na ocasião, já estava convidado para a presidência da AGLO o coronel Oscar Portela Charbel.

Sem a AGLO, o secretário adjunto coronel Marco Aurélio Araújo propôs um modelo no qual ela cuidaria da atividade fim (ocupação das arenas), a secretaria executiva do Ministério da Cidanida da atividade meio (contratos, RH) e o Ministério da Economia do processo de privatização, que demorou mais de seis meses para ser adotado, com a criação da EGLO, que nasceu com uma novidade: seu líder (ainda não está claro se a nomenclatura será “presidente”) responderá ao ministro da Cidadania, não ao secretário de Esporte.

E aí vem o problema. O grupo de militares que comanda a secretaria tem um plano para cuidar do legado e, muitos deles com passagens por funções ligadas ao esporte no Exército, têm carinho especial pelo Parque Olímpico. Além disso, na falta de pessoas nomeadas para cuidar do legado nos últimos seis meses, foram militares que voluntariamente trabalharam ali, com destaque para o coronel Ricardo Leão, da reserva da Exército. A eles foi feita a promessa de que seriam contratados quando o futuro da AGLO fosse definido.

Por isso, o general Décio Brasil vem afirmando nos bastidores que não fica no cargo se Magalhães for nomeado. Seu antecessor no cargo, o também general Marco Aurélio Vieira, saiu do cargo em abril também uma briga por cargos. Seus indicados não eram nomeados pelo ministro Terra, que no fim das contas é quem tem a caneta para contratar e demitir.

Desta vez, outros militares que atuam na Secretaria Especial do Esporte avisaram que também pedem demissão se o general Brasil saiu. No total, a secretaria tem 13 coronéis, em conta feita pelo blog. Desses apenas um teria avisado que não pretende entrar no bonde.

Em meio a toda essa discussão ainda acontece outra, pelo futuro da própria Secretaria Especial do Esporte. As informações de corredores no prédio do antigo Ministério do Esporte é que ela vai deixar o Ministério da Cidadania, mas não se sabe para onde. São discutidas três opções: Turismo, Educação e Casa Civil, onde passaria a ter formatação de agência.