Política

Ex-presidentes | FHC diz que não é hora de esconder "sentimento democrático' e inclui militares em diálogo

Ex-presidentes | FHC diz que não é hora de esconder

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou que as pessoas que têm condições de defender a democracia devem falar.
A afirmação foi dada durante uma live do movimento Direitos Já na tarde deste sábado para debater à democracia.

"Não está na hora de esconder sentimento democrático".

Ele se referia a várias manifestações pedindo o fechamento do (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso Nacional. O ex-presidente não mencionou, mas estes protestos também pedem "intervenção militar com Bolsonaro no poder". Amanhã, haverá novas manifestações com esta bandeira. Pelo segundo final de semana, foram convocadas manifestações de defesa da democracia.

A live contou também com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Nelson Jobim. O tema do encontro era: lideranças debatem a democracia brasileira e os caminhos para protegê-la.

FHC disse que (sem partido) se elegeu com uma agenda negativa para barrar ascensão de Lula, PT, esquerda e o que seus seguidores chamam de comunismo. Mas o ex-presidente lembrou que havia uma agenda não democrática que ninguém prestou atenção. Ele pediu uma solução política.

Este ponto de vista é partilhado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. O deputado federal afirmou que existe um movimento que tenta criar um clima contra a democracia representativa. Acrescentou ainda que os seguidores de Bolsonaro entendem que o triunfo nas eleições de 2018 significou uma vitória absoluta e os outros poderes servem somente para respaldar os desejos do governo federal.

Maia declarou que desde o ano passado há manifestações com pautas contra a democracia que não tiveram resposta que deveriam. O presidente da Câmara dos Deputados concorda a posição de FHC de que a resposta deve ser política. Ele disse que o Congresso Nacional barra ações do governo federal que avançam sobre terras indígenas ou afrouxam a legislação sobre armas, fixando limites ao governo federal.

"O melhor caminho é colocar limites pela política".

Manifestantes pró-democracia não devem ir às ruas

O governador do Ceará, Camilo Santana, disse que não é o momento de ir às ruas em manifestações favoráveis à democracia por causa da covid-19. Ele defendeu o uso das redes sociais porque protestos levariam a aglomerações e poderiam fazer a curva de contágio subir.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que pessoas a favor da democracia precisam se unir. Ele concordou que não é fácil, mas a necessidade está posta. Acrescentou que o diálogo deve ser estendido aos militares sem uma avaliação prematura de que eles são favoráveis a qualquer tipo de golpe.

FHC defendeu a união entre lideranças políticas porque o momento ameaça a condição de cidadão e nação. O ex-presidente falou que é preciso incentivar o surgimento de novas lideranças.

"Então, aos que são mais antigos têm que compreender qual é o seu papel. Não devem estar disputando com os mais jovens a posição que não podem exercer mais, de liderança. A liderança tem que vir de uma outra geração. Isto que eu estou dizendo, embora diz respeito a mim, mas tem outros líderes que deveriam entender que têm que aplaudir quando surgem novos líderes e deixar que a coisa avance".

O presidente da Câmara dos Deputados disse que uma coesão de forças democráticas está em curso. Contou que está conversando com pessoas que antes não dialogava. Rodrigo Maia ressaltou que estar discutindo democracia 30 anos depois da redemocratização é um dado muito negativo.

O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Nelson Jobim declarou que a construção de uma frente pela democracia acontece via diálogo. Ele falou que é preciso elementos de provocação com o lançamento de questões importantes que exijam respostas. Disse também é necessário o aparecimento de uma liderança para fazer o papel no que chamou de "teatro político".

O governador do Maranhão, Flávio Dino, avalia que as instituições têm papel a desempenha na defesa da democracia. O Congresso Nacional discutindo temas como renda mínima, o STF mantendo a ordem como barrando fake news. Os partidos têm papel na visão dele e precisam abrir mão de interesses próprios, deixar de projetar a eleição de 2022, ou remoer o passado.

"Com o papel político dos partidos devemos fortalecer esta união".

Dino reconheceu que existem diferenças entre as forças políticas, mas disse que a situação é de emergência e leva a união porque todos defendem a democracia. O governador afirmou que ninguém nos partidos não bolsonaristas nega a ditadura e as torturas e é preciso se apegar a estas convergências para defender a democracia, que ele considera, sob ameaça.