Política

Ex-presidente paraguaio | Cartes deu US$ 500 mil para ajudar Messer a se esconder, diz MPF

Ex-presidente paraguaio | Cartes deu US$ 500 mil para ajudar Messer a se esconder, diz MPF

Investigações da Lava Jato do Rio de Janeiro apontam que o ex-presidente paraguaio Horacio Cartes deu US$ 500 mil (mais de R$ 2 bilhões) ao doleiro Dario Messer para ajudá-lo a manter-se foragido de autoridades brasileiras no Paraguai. O suposto repasse dos recursos é um dos motivos que levaram a força-tarefa da Lava Jato no Rio a solicitar a prisão preventiva de Cartes. .

No pedido de prisão de Cartes, o MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro) informa que Cartes e Messer são amigos há décadas. Messer, que é acusado de lavar US$ 1,6 bilhão (mais de R$ 6 bilhões), é considerado um "irmão de alma" por Cartes.

Até as 11h50 de hoje, 11 suspeitos haviam sido presos (oito prisões preventivas —por período indeterminado— e três temporárias). Nove alvos de mandados se encontram no exterior. Ao todo, a chamada Operação Patron cumpre 16 mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e 18 de busca e apreensão em diversas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Em carta, Messer chama Cartes de "patrão"

Messer teve sua prisão decretada em maio de 2018, quando já era investigado pela Lava Jato do Rio. Na época, para não ser preso, o "doleiro dos doleiros" fugiu para o Paraguai.

Foragido, Messer escreveu uma carta para Cartes, que na época ainda era presidente do país vizinho. Na carta, escrita à mão e cuja imagem foi obtida pelos investigadores, Messer chama Cartes de "patrão" e diz que vai precisar de US$ 500 mil para cobrir seus gastos jurídicos.

"Dario Messer praticamente exigiu que o então presidente do Paraguai disponibilizasse a ele US$ 500 mil para que pudesse arcar com suas despesas advocatícias", explicou o procurador regional da República José Augusto Vagos, da força-tarefa da Lava Jato no Rio.

Segundo a Lava Jato, o dinheiro solicitado por Messer a Cartes realmente chegou ao doleiro. "Impressiona que o presidente então em exercício de uma República democrática mande entregar de forma sub receptícia uma quantia milionária a foragido da justiça", destaca o MPF-RJ.

Procurada, a defesa de Cartes não quis se pronunciar.

Propina para evitar extradição

Também de acordo com a Lava Jato, Messer negociou o pagamento de US$ 2 milhões em propinas para o ex-ministro do Interior do Paraguai Juan Ernesto Villamayor para evitar que ele fosse extraditado ao Brasil, caso ele se entregasse à polícia paraguaia.

Investigações apontam que a negociação teria sido feita pela advogada Leticia Bobeda, que representa Messer no Paraguai, onde ele também é investigado.

Mensagens enviadas por Bobeda a Messer citam conversas que ela teve com o então ministro Villamayor. "Pediu US$ 2 milhões. 50% antes e 50% depois", diz a advogada, que também teve sua prisão decretada pela Justiça do Brasil.

O UOL entrou em contato com Bobeda, mas ela ainda não respondeu.

Operação Patron

As ordens de prisão de Cartes e Bobeda são parte da Operação Patron, deflagrada hoje. Essa operação faz parte da Lava Jato e é um desdobramento da Câmbio, Desligo, que investigou Messer.

Segundo o MPF-RJ, dados nos celulares apreendidos comprovaram Messer não parou de cometer crimes desde que teve sua prisão preventiva decretada.

"Ao contrário, a complexa rede do submundo do mercado ilícito de capitais o acolheu porque já inserida em sua própria organização, dela jamais tendo se dissociado", ressaltou a Lava Jato em petição encaminhada à Justiça.