Política

Embaixada da Venezuela em Brasília | Governo Bolsonaro diz que embaixada foi invadida e que não sabia de ato

Embaixada da Venezuela em Brasília | Governo Bolsonaro diz que embaixada foi invadida e que não sabia de ato

A Presidência da República negou hoje que o presidente (PSL) tenha incentivado o que tratou como "invasão" à embaixada da Venezuela em Brasília. Em nota, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), responsável pela segurança presidencial, chama o episódio de "fatos desagradáveis".

"Como sempre, há indivíduos inescrupulosos e levianos que querem tirar proveito dos acontecimentos para gerar desordem e instabilidade; o presidente da República jamais tomou conhecimento e, muito menos, incentivou a invasão da Embaixada da Venezuela, por partidários do Sr. Juan Guaidó; as forças de segurança, da União e do Distrito Federal, estão tomando providências para que a situação se resolva pacificamente e retorne à normalidade", afirma o texto.

Na manhã de hoje, partidários do líder da oposição venezuelana Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente do país, invadiram hoje a embaixada da Venezuela, em Brasília, e entraram em discussão com grupos que apoiam o ditador Nicolás Maduro.

Segundo informaram fontes diplomáticas e policiais, os apoiadores de Guaidó entraram no local com a ajuda de funcionários da embaixada. Oficialmente, junto a mais de 50 países, o Brasil reconhece Guaidó como o presidente legítimo da Venezuela. Ainda assim, a embaixada venezuelana continuava sob o domínio de aliados de Maduro.

O incidente ocorre no momento em que Brasília é sede da cúpula do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Hoje pela manhã o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no Palácio do Planalto antes do início dos eventos ligados à cúpula do Brics.

O que aconteceu?

De acordo com a PM-DF (Polícia Militar do Distrito Federal), um grupo de manifestantes entrou na embaixada e tentou tomar o controle do local por volta das 4h de hoje. A ONU (Organização das Nações Unidas) já alertou que o Brasil é responsável pela segurança da embaixada.

Como foi a entrada?

A maneira como aconteceu a entrada é alvo de um embate de versões entre os apoiadores de Guaidó e os de Maduro.

Representante de Guaidó, María Teresa Belandria Expósito negou, em comunicado, que a embaixada da Venezuela tenha sido invadida por apoiadores do político. Segundo Expósito, apoiadores de Guaidó tiveram sua entrada facilitada por funcionários da embaixada. "Um grupo de funcionários da embaixada da Venezuela no Brasil entrou em contato conosco para nos informar que reconhecem o presidente Juan Guaidó. Eles começaram a abrir as portas e entregar voluntariamente a sede diplomática à representação legitimamente credenciada no Brasil. Essa ação foi imediatamente comunicada ao Ministério das Relações", disse em nota.

A versão é distinta da apresentada pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza. Nas redes sociais, ele disse que as instalações da embaixada foram invadidas. "Responsabilizamos o governo brasileiro pela segurança de nosso pessoal e instalações". Não há até o momento, porém, uma explicação por parte dos apoiadores de Maduro sobre como foi a entrada no prédio.

Quem está lá agora?

Um diplomata brasileiro foi enviado ao local junto com a PM-DF para mediar a situação. Segundo a PM, os policiais aguardam uma autorização do Ministério das Relações Exteriores para agir. Um representante do ministério, Maurício Correia, está negociando com os manifestantes, de acordo com a polícia.

O ministro-conselheiro de Guaidó, Tomas Silva, também está na embaixada. Em vídeo, ele disse funcionários da embaixada reconhecerem Guaidó como presidente. "Estamos felizes, contentes. A dignidade volta, está conosco."

Também estão presentes apoiadores de Maduro, como o encarregado de negócios da embaixada da Venezuela no Brasil, Fredy Meregote. Em áudios

Possíveis efeitos

Diplomatas brasileiros em Caracas temem reflexos da entrada de apoiadores de Guaidó. Segundo o blogueiro do UOL Jamil Chade, eles estão receosos de que a segurança no exterior poderia estar comprometida. A situação ficaria pior, na avaliação dos diplomatas, caso o governo brasileiro decida apoiar o grupo ligado a Guaidó que entrou na embaixada.

O temor é motivado por uma sinalização do filho de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Como consequência, o governo de Maduro poderia expulsar diplomatas brasileiros em Caracas.