Política

Depoimento à Justiça | É injusto condenar Lula sem esclarecer contradições, diz Marcelo Odebrecht

Depoimento à Justiça | É injusto condenar Lula sem esclarecer contradições, diz Marcelo Odebrecht

O empresário Marcelo Odebrecht fez acenos contra acusações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em depoimento à 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, hoje, Odecrecht disse ser "extremamente injusto fazer qualquer espécie de acusação ou condenação de Lula sem que se esclareça contradições".

O empresário disse que nunca tratou de ilicitudes com Lula, mas que apenas ouviu afirmações de seu pai, Emílio Alves Odebrecht, e de Antonio Palocci, ministro da Fazenda no primeiro mandato de Lula, que, segundo ele, foram contraditórias.

"A questão de Lula, eu acho que tem de ser esclarecida por meu pai e Palocci. Até porque hoje eu me sinto totalmente desconfortável porque eu vejo depoimentos tanto de Lula quanto de Palocci estão cheios de contradições", disse Marcelo.

O empreiteiro Marcelo Odebrecht durante depoimento à CPI da Petrobras, em setembro de 2015 - Giuliano Gomes/Folhapress
O empreiteiro Marcelo Odebrecht durante depoimento à CPI da Petrobras, em setembro de 2015
Imagem: Giuliano Gomes/Folhapress

"Meu pai já disse que falava para mim uma coisa e falava para Lula outra. Meu pai se esqueceu, disse que se esqueceu, de um bocado de coisa. Minha opinião é que é tremendamente injusto se fazer qualquer espécie de acusação ou condenação de Lula sem que se esclareçam as contradições dos depoimentos de meu pai e Palocci", completou.

As afirmações foram feitas em depoimento no processo em que Marcelo atua como corréu e testemunha por corrupção passiva em obras da empresa em Angola.

Lula e os ex-ministros petistas Antônio Palocci Filho e Paulo Bernardo são acusados de aceitar, segundo o Ministério Público Federal, pagamentos da Odebrecht para liberar de 1 bilhão de dólares (cerca de R$ 4 bilhões, na cotação atual) em empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A ação é conduzida pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira.

A defesa de Lula afirma que o ex-presidente jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem indevida antes, durante ou após exercer o cargo de Presidente da República. Já a defesa de Palocci afirmou que o ex-ministro iria colaborar para o amplo esclarecimento dos fatos.

Ex-homem forte dos governos petistas, Palocci foi ministro da Fazenda no primeiro mandato de Lula, demitido pelo então presidente depois do escândalo envolvendo a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Francenildo foi responsável por denunciar que o então ministro usava uma mansão em Brasília onde participava de festas e reuniões para pagamento de propinas. Paulo Bernardo foi ministro das Comunicações de Dilma Rousseff e do Planejamento no governo Lula.