Política

Contra decreto do DF | Por rigor do uniforme, guardas presidenciais não usam máscara no Palácio do Planalto

Contra decreto do DF | Por rigor do uniforme, guardas presidenciais não usam máscara no Palácio do Planalto

Soldados do batalhão presidencial não têm utilizado máscaras durante a guarda simbólica na rampa do Palácio do Planalto, em Brasília.

Por conta da pandemia do coronavírus, o item de proteção é obrigatório desde o fim de abril no Distrito Federal, segundo decreto publicado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB).

O próprio presidente (sem partido) já foi alvo de uma liminar por descumprir a medida. .

Assim como os Dragões da Independência, os soldados do BGP (Batalhão da Guarda Presidencial) são responsáveis por um dos protocolos cerimoniais mais conhecidos da sede do Executivo federal.

Durante o dia, dois militares ficam de prontidão na parte superior da rampa com a missão de "proteger" a entrada do Planalto.

Segundo apurou o UOL em conversa com os jovens que compõem o pelotão, há uma "ordem interna" para que, durante a guarda, eles dispensem o item de proteção em respeito ao rigor do uniforme.

Os militares do BGP e dos Dragões da Independência usam fardas consideradas históricas e regidas por um código específico, o RUE (Regulamento dos Uniformes do Exército). As duas unidades se revezam semestralmente na função simbólica. Além do Planalto, eles também atuam no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

uniformes - Reprodução/RUE - Reprodução/RUE
Uniformes da guarda presidencial são regulamentados por documento do Exército
Imagem: Reprodução/RUE

Ao UOL, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) informou que apenas a dupla que fica de prontidão na rampa não usa máscara, pois eles se posicionam "distantes um do outro e não têm contato com o público". Todos os demais "possuem máscaras e as utilizam em serviço", de acordo com a pasta.

O 1º RCG (Regimento de Cavalaria de Guardas) informou que não existe orientação por parte da cadeia de comando para que os soldados dispensem as máscaras em momento algum.

De acordo com o regimento, os protocolos de saúde estão sendo cumpridos e, na sede da base militar, todos são orientados a usar o equipamento. Nos quartéis, casos suspeitos estão sendo identificados e isolados.

Ainda segundo o 1º RCG, a orientação para a não utilização de máscaras pode ter tido origem na própria estrutura palaciana em alguma "situação pontual". A cena, no entanto, é recorrente. A reportagem esteve no Planalto todos os dias da última semana em horários diferentes e observou que ela se repetia.

O decreto do governo do Distrito Federal prevê que, além de multa, quem descumprir a regra também pode responder por crime de infração de medida sanitária, com pena que pode chegar a um ano de prisão.

Em junho, durante uma manifestação realizada em Brasília.