Política

Combate à fome não pode ter ideologia, afirma pai do Fome Zero

Combate à fome não pode ter ideologia, afirma pai do Fome Zero

Considerado como um dos pais do programa Fome Zero, José Graziano da Silva faz um alerta: o combate à fome não tem ideologia e não pode ser afetado por uma mudança de governo.

“Quando você está no governo, você deixa de ser de esquerda ou direita. É preciso ser prático e mostrar resultado”, disse. “E, para mostrar resultado, você não pergunta se a pessoa é fascista ou comunista. Ela passa fome? Tem que chegar comida a ela”, afirmou.

Graziano da Silva recebeu o blog para uma longa conversa sobre o fim à frente da direção da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Ele foi eleito em junho de 2011 e, em meados deste ano, conclui seu segundo mandato.

Sua análise é que o combate à fome não é apenas uma decisão de governo. “É uma sociedade que decide acabar com a fome. Não um governo”, disse.

Ele cita um exemplo dos EUA. “Lá, eles decidiram acabar com a fome no século 19 e fizeram um grande programa de ajuda que sobrevive até hoje, na forma do Food Stamps”, disse. “Entra governo e sai governo, democrata ou republicano, e ninguém pergunta se esse programa vai acabar. O Brasil criou alguns programas desse tipo, como a alimentação escolar. Isso não pode acabar, especialmente sob a alegação de que esse tipo de programa difunde ideologias. São coisas que precisam ser preservadas em qualquer contexto”, disse.

Ele evita fazer uma análise das políticas adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). Mas antecipou que, no caso do Brasil, a recessão e o aumento do desemprego geraram uma alta no número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar. Os números, porém, serão revelados no meio do ano.

Fonte: Uol

Créditos: Uol