Política

Assembleia do RJ | Deputado estadual denunciado por 'rachadinha' empregou vice de Witzel

Assembleia do RJ | Deputado estadual denunciado por 'rachadinha' empregou vice de Witzel

Denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por integrar suposto esquema de rachadinhas na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o deputado estadual Márcio Pacheco (PSC) é visto como um parlamentar com "força nos bastidores e aliado de quem importa". Ex-líder do governo Wilson Witzel (PSC) na Alerj, ele passou a integrar o grupo que busca o afastamento do governador do Rio, com quem compartilha da mesma sigla.

Apesar da ruptura com Witzel e de ser um dos homens mais fieis ao presidente da Casa, André Ceciliano (PT), Pacheco segue com laços no Palácio Guanabara. O vice-governador Cláudio Castro (PSC) —a quem chama de "irmão"— ocupou a chefia dos seus gabinetes por 12 anos, antes de seguir voo próprio e ser eleito vereador, em 2016. Por isso, o trânsito de Pacheco é considerado livre, entre diferentes alas do partido.

De acordo com o relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), nove pessoas ligadas ao gabinete de Pacheco registraram movimentações atípicas da ordem de R$ 24,6 milhões. Os nove citados no relatório de inteligência financeira são assessores ou ex-assessores da Alerj e, para o MP-RJ, teriam envolvimento no esquema do seu gabinete. Entre eles, há um advogado sócio de Pacheco em um escritório.

Eles movimentaram os recursos em diferentes períodos que vão de 2011 a 2017, mas a maior parte do grupo foi flagrado pelas autoridades entre 2016 e 2017. Apenas o atual chefe de gabinete de Pacheco, André Santolia da Silva Costa, teria movimentado um total de R$ 1.714.831,00, entre janeiro e dezembro de 2016. O Coaf considerou "incompatível com sua capacidade financeira".

Procurada pela reportagem, a assessoria de Márcio Pacheco ainda não se manifestou sobre a denúncia.

Voto por impeachment após ruptura com Witzel

Embora tenha deixado a base de articulação do governo, a sua influência na Alerj continua praticamente intacta e é simbolizada pela presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), ocupada por ele desde o ano passado, quando foi eleito por unanimidade. É a Márcio Pacheco que vários parlamentares recorrem quando precisam de informações quanto a projetos específicos.

Em meio à crise entre o governo e o Parlamento, deflagrada em maio, o deputado deixou o posto de confiança de Witzel e, alguns dias depois, votou pela abertura do processo de impeachment do ex-aliado. Em seu voto, Pacheco justificou dizendo-se "favorável à apuração de qualquer irregularidade" —Witzel é investigado por fraude em contratos de saúde durante a pandemia.

Eleito deputado estadual pela terceira vez em 2018, com 48.317 votos, Pacheco também foi vereador por dois mandatos e ocupou a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência em 2009 na gestão de Eduardo Paes.

A interlocutores, o deputado afirma ter independência total para votar matérias na Alerj, sem a necessária anuência do PSC. "Eu nunca fui orgânico do partido", costuma justificar.