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Segundo estudos, vitaminas e suplementos são desperdício de dinheiro

Segundo estudos, vitaminas e suplementos são desperdício de dinheiro

Bem-vindo ao Fator de Impacto, sua dose semanal de comentários sobre novos estudos médicos. Eu sou o Dr. Francis Perry Wilson.

Trinta bilhões de dólares. Esse é o montante que os norte-americanos gastam por ano em vitaminas e suplementos. E, de acordo com as mais abrangentes análises dos seus efeitos, a maior parte desse dinheiro está sendo desperdiçada.

A “revisão guarda-chuva”, publicada no periódico Annals of Internal Medicine, [1] é um extenso conjunto de artigos de ensaios clínicos randomizados com vitaminas e suplementos que avaliaram os seus efeitos sobre a doença cardiovascular e a mortalidade geral.

A inclusão exclusiva de ensaios randomizados foi uma excelente escolha. Estudos observacionais sobre o uso de vitaminas e suplementos são importunados pelo que é conhecido como “viés do usuário saudável”: pessoas que optaram por tomar vitaminas, muitas vezes adotam outros comportamentos saudáveis. Mais uma vez, as vitaminas que pareciam promissoras nos estudos observacionais falharam nos grandes ensaios clínicos randomizados. Estou de olho em você, vitamina D.

Atualmente, temos todos os melhores dados sobre vitaminas e suplementos em um só lugar, o que me permite dizer: não há nenhuma evidência de alta qualidade que qualquer vitamina ou suplemento tenha algum efeito benéfico em termos de mortalidade geral.

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A análise foi feita com estudos de 24 intervenções diferentes – eu listei a maioria deles aqui – composta de 277 ensaios clínicos randomizados, e quase um milhão de pacientes. E, basicamente, nada.

A única intervenção que teve evidências de qualidade moderada para proteção contra a morte por todas as causas foi a redução da ingestão de sal, que, francamente, não me parece em nada com vitaminas ou suplementos.

Para ser justo com os outros achados, houve evidências de baixa qualidade de que os ácidos graxos ômega 3 podem proteger contra infarto agudo do miocárdio (IAM) e doença cardíaca, e que o ácido fólico pode proteger contra acidente vascular cerebral. Houve evidências de qualidade moderada de que a associação de cálcio com a nossa velha amiga, vitamina D, aumentou o risco de acidente vascular cerebral.

Mas todos estes efeitos foram muito pequenos.

Por quê? Bem, vamos lembrar que as vitaminas foram, em geral, identificadas pelas suas síndromes de deficiência. Sabemos que a vitamina C é essencial para a vida, porque sem ela as pessoas têm escorbuto. Mas nunca houve muita fundamentação teórica de que o consumo excessivo de qualquer um destes produtos químicos traga benefícios extraordinários para a saúde.

Para ser justo, isso está avaliando apenas a mortalidade e os desfechos cardiovasculares. Continua a ser possível que vitaminas e suplementos possam melhorar a qualidade de vida subjetiva. Mas você sabe o que mais melhora a qualidade de vida? Dinheiro. E, de acordo com esse estudo, você pode querer poupar o seu quando estiver passando pela seção de vitaminas.

Fonte: Medscape

Créditos: Polêmica Paraíba