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Renato de Castro | Cidade inteligente depende do cidadão

Renato de Castro | Cidade inteligente depende do cidadão

Para mim, o conceito de cidade inteligente está baseado em cinco pilares. Foi no passado, e é cada vez mais, tecnologia. Os projetos que mais dão certo estão voltados para o cidadão, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida. Tudo isso tem que estar embalado no conceito das novas economias e tem que trazer resiliência para as cidades e para os cidadãos. Para o sucesso de uma cidade inteligente, hoje, é fundamental a participação do cidadão.

Discutimos um pouco sobre essa e outras ideias de cidades inteligentes no Welcome Tomorrow 2019. O evento, entre os dias 6 e 10 de novembro, no Expo São Paulo, já prometia bastante, mas acabou superando todas as expectativas. Mais de 22 mil visitantes passaram por lá durante os cinco dias para assistir aos 500 palestrantes.

E claro que o Tilt não poderia ficar fora deste evento! No dia 9, realizamos um painel com mais dois colegas do canal: a Cristina de Lucca, do Blog Porta 23 e o Felipe Zmoginski, do blog Copy From China. O painel foi moderado por Fabiana Uchinaka, editora do Tilt.

Defendi a importância de tentarmos buscar soluções para nossas cidades para uma convivência mais resiliente e sustentável e, como consequência, para uma vida mais inteligente. Aliás, nem gosto muito do termo "cidade inteligente", já que não existe uma cidade burra.

Para Cristina de Lucca, a tecnologia precisa estar na mão da população. "O gestor tem que fazer o diagnóstico da cidade e entender os problemas que são desafio da população. O gestor tem que ter ouvido para a população. O que a tecnologia pode fazer é ajudar e baratear esse processo", disse.

Outra discussão importante do painel foi sobre o papel do Estado. Em países com menos liberdade e com muito dinheiro, como é o caso da China, projetos de cidades inteligentes conseguem avançar muito mais facilmente do que no Brasil, por exemplo.

Felipe Zmoginski contou que, no sul da China, por exemplo, durante um surto de dengue, o governo liberou o uso de drones para mapear e identificar as casas que descuidavam da prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, o transmissor da doença. Sem a devida regulação, algo do mesmo tipo seria impensável no Brasil.

Ele também contou que dois fatores fazem com que a China esteja na vanguarda das cidades inteligentes. O primeiro é o dinheiro. O país soube mudar o foco das exportações para o investimento. E o segundo é o que Zmoginski chamou de "regulação com visão de futuro." Até 2025, 70% das exportações serão de produtos de alto valor agregado. E até 2030, a China quer ser líder em inteligência artificial.

"Na China, há pressão para liberalizar novas soluções independente das regulações", contou. Segundo ele, uma vez que a liderança decidiu algo, "todos caminham para esse lado".

Além da falta de dinheiro e de dificuldades de regulação, o Brasil também sofre com a falta de vontade do poder público em disponibilizar dados. Durante um congresso que estive em Barcelona, vi que os brasileiros reclamaram que no nosso país há um problema de demora na alimentação do sistema por parte do governo. Os dados públicos demoram muito a aparecer.

"Em Barcelona, não há dois bancos de dados. Os dados são colocados no sistema que é o mesmo que a população tem acesso", contou.

Para Cristina de Lucca, falta criatividade no Brasil. Além disso, falta vontade, por parte do poder público, de receber informação coletada pela população e agir com ela. Lucca deu o exemplo da dengue. Com smartphones, o brasileiro poderia coletar informações no bairro sobre prevenção e repassar isso para as prefeituras. No entanto, os municípios não saberiam o que fazer com esses dados.

"Falta uma cultura de trabalhar dados públicos no Brasil. Os municípios são desestruturados do ponto de vista do uso do dado público", afirmou.

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O Welcome Topmorrow foi uma oportunidade especial para rever os colegas que estão fazendo a diferença neste mundo de inovação no Brasil e no mundo. Na manhã do dia 6, dividi o palco com Murilo Gun, um dos novos gurus de inovação da atualidade, e com o idealizador do evento, meu amigo visionário Flávio Tavares.

Também tive a oportunidade de conhecer ou reencontrar pessoas como o anjo investidor das 1.000 startups, João Kepler, que ministrou palestras em várias arenas, e trouxe consigo seu filho Davizinho; moderei um painel bacana para discutir o papel da tecnologia nas relações familiares, com a jornalista Maria Candida, sua mãe Mirian e sua filha Laia.

Esperamos que vocês gostem. Essa é uma oportunidade única para vocês deixarem seus comentários e interagirem com três bloggers ao mesmo tempo. Aproveitem! Um grande abraço e nos vemos na próxima semana.

* Colaborou Thiago Varella