País

Preso do caso Marielle deixa prédio com possíveis armas do crime

Preso do caso Marielle deixa prédio com possíveis armas do crime

Um vídeo de uma câmera de segurança mostra José Márcio Mantovano, o Márcio Gordo, um dos presos na Operação Submersus, entrando no prédio de Ronnie Lessa e saindo dele com uma grande caixa de papelão nas mãos. A polícia investiga se as armas usadas nos assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes estavam na caixa. Assista aos dois momentos no vídeo abaixo (25s: entrada / 10min: saída):

O sumiço das armas do crime foi o que desencadeou a operação realizada nesta quinta-feira pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e o Ministério Público estadual (MPRJ). Os agentes cumpriram cinco mandados de prisão, dentre eles contra Ronnie Lessa, de 49 anos, apontado como um dos autores do crime. Ele está em um presídio federal em Porto Velho, em Rondônia. A mulher e um dos cunhados de Ronnie também foram capturados na operação: Elaine Pereira Figueiredo Lessa, 44, e Bruno Pereira Figueiredo, 27, respectivamente. Josinaldo Lucas Freitas, o Djaca, 32, e Márcio Gordo, 46, foi os outros alvos da ação.

De acordo com as investigações, os cinco participaram de um esquema, comandado por Elaine, para ocultar armas da quadrilha, dentre elas possivelmente a submetralhadora HK MP5 que teria sido usada para matar Marielle e Anderson. O grupo teria jogado as armas nas águas do mar da Barra da Tijuca. O armamento foi lançado próximo às Ilhas Tijucas um dia depois das prisões de Ronnie e do ex-PM Élcio de Queiroz (outro apontado como autor do crime), na madrugada do dia 13 de março. Segundo o MPRJ, na ocasião, um carro com quatro ocupantes tentou entrar no imóvel alugado por Ronnie na Rua Professor Henrique da Costa, no Pechincha, para retirar pertences do local. Os ocupantes do veículo foram impedidos de entrar no prédio pela administração do condomínio.

Já de tarde, Bruno levou Márcio Gordo até o apartamento de Ronnie e, de lá, retirou uma grande caixa com pertences, como mostram as câmeras de segurança do condomínio, retornando em seguida ao veículo dirigido por Bruno. Na manhã seguinte, Márcio Gordo foi ao estacionamento de um supermercado da Barra com seu carro, onde se encontrou com Djaca e retiraram de dentro de um outro veículo caixas, bolsas, malas e seguiram para destinos diferentes. Enquanto, Márcio Gordo seguia para um local desconhecido ignorado, Djaca se dirigiu para a colônia de pescadores do Quebra-Mar da Barra, onde alugou os serviços de um barqueiro e atirou todo o conteúdo retirado do apartamento de Ronnie ao mar, sendo possível identificar armas de grosso calibre e peças para a montagem de armas. Em depoimento à DHC, um pescador revelou que foi contratado por um homem, identificado depois como Djaca, recebendo R$ 300 para levá-lo ao local onde “fuzis e pequenas caixas”, que estavam em uma mala e em uma caixa, fossem jogados próximo às Ilhas Tijucas. Com o auxílio de mergulhadores do Corpo de Bombeiros e da Marinha, foram realizadas buscas no local, mas nada foi encontrado. A grande profundidade e as águas muito turvas dificultaram o trabalho.