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Policiais são afastados suspeitos de atrapalhar investigação sobre tráfico de animais

Policiais são afastados suspeitos de atrapalhar investigação sobre tráfico de animais
Naja se sentiu acuada e picou estudante para se defender (Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília)

O comandante Joaquim Elias Costa Paulino, e o capitão Cristiano Dosualdo Rocha, ambos do Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Distrito Federal, foram afastados de seus cargos por suspeita de interferência nas investigações sobre tráfico de animais.

O anúncio do afastamento foi feito pela instituição na última quarta-feira (5). Paulino e Rocha foram transferidos para o setor administrativo.

A corporação informou ao G1 que o afastamento foi solicitado “pelo Departamento de Controle e Correição da PMDF, visando dar transparência às apurações”.

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O esquema de tráfico de animais silvestres no Distrito Federal passou a ser investigado após uma naja picar um estudante de medicina veterinária para se defender. Se sentindo acuada, a cobra picou Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl no início de julho. Multado por crime ambiental, Pedro chegou a ser preso. De acordo com a polícia, o rapaz é traficante de animais.

Além de ter sido mantida em cativeiro para ser tratada como animal doméstico, a cobra ainda foi abandonada na rua, nas proximidades de um shopping. Resgatada, ela foi levada a um zoológico.

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul é traficante de animais, segundo a polícia (Foto: Arquivo pessoal)

O padrasto de Pedro, Eduardo Condi, é tenente-coronel da PM e também foi alvo de operação da Polícia Civil. Após o abandono da cobra, imagens de câmeras de monitoramento do shopping mostraram que a PM Ambiental chegou ao local um minuto após a naja ser deixada no local. A investigação agora tenta descobrir se os policiais agiram para proteger investigados pela Operação Snake, que apura o esquema de tráfico.

O comandante Joaquim Elias questionou o próprio afastamento. “Por que exoneraram quem descobriu e apreendeu os animais e que estragou a rede de tráfico internacional de animais aqui no DF? Quem está lucrando com minha exoneração?”, afirmou. “Tem oficiais parentes dos envolvidos diretamente com as cobras. Será que vão ter coragem de exonerá-los também? Isso só são questionamentos”, completou.