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O impacto que as manifestações podem ter o governo de Jair Bolsonaro

O impacto que as manifestações podem ter o governo de Jair Bolsonaro

Em meio a uma crise em seus apenas cinco meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e aliados convocaram os brasileiros a ocuparem as ruas em defesa de sua administração neste domingo (26). A convocação ganhou inicialmente um viés de enfrentamento contra os demais Poderes (Congresso e Supremo Tribunal Federal) e assumiu depois um caráter de defesa das agendas do governo, como a Reforma da Previdência e o pacote anticrime elaborado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro.

Na tentativa de dar um ar mais espontâneo ao movimento, o presidente desistiu de comparecer aos atos. “Por tratar-se de uma manifestação livre e espontânea, [o presidente] não quer associá-la ao governo”, disse à imprensa o porta-voz a Presidência, general Otávio Rêgo Barros, como justificativa.

Em relação ao movimento deste fim de semana, o atual desafio do governo Bolsonaro é reunir apoio popular expressivo que possa fortalecê-lo nas negociações com o Congresso Nacional, onde não construiu uma base de apoio. A estratégia embute risco alto —se a mobilização for pequena, Bolsonaro ficará ainda mais fraco na segunda-feira.

Embora as pesquisas de opinião mostrem queda da popularidade de Bolsonaro, ele tem ainda uma “máquina” importante de mobilização nas redes sociais e grupos de WhatsApp, como ressalta a cientista política Rosemary Segurado, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“Acompanho alguns desses grupos e estou vendo uma convocação forte. É muito arriscado tanto dizer que vai ser um fracasso quanto que vai ser um êxito, mas certamente as manifestações serão um termômetro do apoio ao presidente, um recado sobre essa atuação”, afirma. “E dependendo de como for esse recado podemos ter algumas reconfigurações dentro do governo”, pondera. Entenda a seguir os possíveis impactos da mobilização para a administração Bolsonaro.

Fonte: Folha de São Paulo

Créditos: Mariana Schreiber e Paula Idoeta