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MP denuncia cirurgiões por lesão corporal em seios de paciente

MP denuncia cirurgiões por lesão corporal em seios de paciente

Dois cirurgiões de Brasília viraram alvo do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por negligência médica e lesão corporal. A denúncia criminal ocorreu em 29 de maio deste ano, após um procedimento estético realizado em 2016, quando Fernando Nakamura e Gustavo Lessa Batista foram responsáveis pelo implante de silicone numa paciente, que acabou internada durante um mês por infecção cirúrgica localizada. A mulher tinha 27 anos à época e, desde então, a vítima fez quatro novas cirurgias para poder salvar as duas mamas. Os profissionais negam a responsabilidade e pediram que a Justiça estabeleça sigilo no caso.

O Metrópoles teve acesso à integra da denúncia que tramita judicialmente, mas a reportagem preservará o nome da vítima. De acordo com o documento, assinado pela Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-vida), a paciente procurou os dois especialistas, que atendem em clínica no Lago Sul, para colocar silicone nas mamas, fazer refinamento de cicatriz no abdômen e lipoaspiração na cintura.

Durante o procedimento, consta no depoimento da vítima, o médico Gustavo Lessa Batista teria se cortado com um bisturi e o sangue teria se misturado ao da paciente. O fato fez com que as assistentes do cirurgião procurassem a família da mulher a fim de informar a necessidade de se acionar o convênio médico para a realização de exames, incluindo o de hepatite e de Aids, por conta do incidente. Ainda de acordo com a investigação, o cirurgião não fez os exames.

Segundo consta na denúncia que tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a paciente relatou aos promotores que a recuperação cirúrgica não ocorreu como deveria e que, ao longo de um mês, embora tenha se declarado ser “disciplinada”, sintomas como febre localizada, vermelhidão e dores foram percebidos e comunicados imediatamente aos médicos. Não houve, segundo o MPDFT, tratamento adequado dos especialistas para as alegadas reações.

Após uma consulta em fevereiro daquele ano, um mês após a cirurgia, Nakamura sugeriu que um novo encontro fosse realizado apenas em março, mas a vítima percebeu alterações no local e decidiu, por conta própria, solicitar um encaixe na agenda do profissional três dias depois. “Ela percebeu que sua evolução não estava satisfatória, pois, apesar de ser disciplinada com as medicações e com os cuidados pós-cirúrgicos, o corte vertical da mama direita ainda estava aberto, e as auréolas não haviam se regenerado”, consta na ação penal.

Na consulta, Nakamura aplicou uma anestesia no local e “suturou a região que estava aberta, na linha vertical do seio direito e nas duas auréolas”. De acordo com a vítima, o consultório não teria estrutura adequada para o procedimento realizado. Nos dias seguintes, de acordo com o processo, a paciente relatou ao médico, via WhatsApp, fortes dores e excreção amarelada saindo das mamas. Para comprovar, ela encaminhou fotos ao responsável pelo procedimento. “Ele pediu ‘paciência’, pois o procedimento em consultório tinha sido feito há menos de 48 horas” e disse não acreditar que a mulher estivesse com infecção.

Após o caso se agravar, o médico encaminhou a paciente ao colega, Gustavo Lessa Batista. “Em nenhum momento o médico Fernando Nakamura orientou a representante a ir até a clínica para ser examinada, sendo oportuno ressaltar que ela já tinha se comunicado com ele em três momentos distintos”, registra a denúncia.

Sem sucesso nas investidas para conseguir um acompanhamento mais preciso, a paciente decidiu procurar o pronto-socorro de hospital particular no Lago Sul, onde fez exames. No dia seguinte, ela seguiu para o Hospital Sírio-Libanês, onde foi atendida por outros dois profissionais. Durante a consulta, os médicos determinaram a internação imediata da paciente, que ficou praticamente um mês sob cuidados intensivos dos novos médicos.

Durante a internação emergencial, ela teve de passar por quatro cirurgias reparadoras e ainda não recebeu recomendação se precisará de outras intervenções médicas. Segundo consta na ação penal, “as mamas ainda precisam ser tratadas, as auréolas ainda não regeneraram, o seio direito está significativamente menor, os seios estão em formatos distintos e existem dúvidas sobre qual será o aspecto final das cicatrizes”.

Fonte: Metróples

Créditos: Metróples