Mundo

Um shot atômico: Cientistas apresentam vodka de Chernobyl

Um shot atômico: Cientistas apresentam vodka de Chernobyl

Uma única garrafa de Atomik foi destilada por grupo de pesquisadores britânicos e ucranianos, que pretendem incentivar agora produção artesanal

Um shot atômico: Cientistas produzem vodka em Chernobyl

Cristina Charão, do R7

Passados 33 anos do maior acidente nuclear da história, o mundo está prestes a poder provar o sabor de . A Vodka Atomik, produzida com grãos colhidos na zona de exclusão ao redor do reator atômico que explodiu na Ucrânia em 1986, foi apresentada por um grupo de cientistas ucranianos e britânicos. De acordo com os pesquisadores, a bebida é totalmente livre de radioatividade.

A única garrafa da vodka de Chernobyl produzida até agora é resultado de uma pesquisa de três anos sobre a transferência de radiodatividade para produtos agrícolas plantados e colhidos dentro da área de maior contaminação radioativa ao redor da antiga usina.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (8), os pesquisadores afirmam que os grãos colhidos nas plantações experimentais dentro da zona de exclusão apresentavam um índice de radioatividade pouco superior aos níveis considerados seguros na Ucrânia.

O processo de destilação da vodka, no entanto, foi capaz de reduzir impurezas originais dos grãos. Com isso, a bebida alcoólica produzida em Chernobyl apresentava, ao final do processo, as mesmas qualidades de qualquer outro produto semelhante.

Para chegar à Vodka Atomik, o grupo de pesquisadores ainda diluiu o álcool produzido a partir da fermentação e destilação dos grãos de Chernobyl com a água mineral de um poço a 10 quilômetros ao sul do reator que explodiu em 1986. Esta água tem propriedades semelhantes às das fontes da região de Champagne, na França.

O grupo de cientistas acredita que a produção artesanal de vodka pode ser importante para as milhares de famílias que ainda vivem na área de reassentamento obrigatório.

"Nós não acreditamos que a Zona de Exclusão deva ser usada intensivamente para agricultura", disse o professor Jim Smith, da Universidade de Portsmouth, ao site da instituição. Com 2.600 quilômetros quadrados, a área é protegida hoje como reserva natural e o acesso é totalmente restrito.

"Mas muita gente ainda vive em outras áreas onde a agricultura ainda é proibida", ressalta Smith.

Por ser um produto de alto valor agregado, ou seja, com possibilidade de grandes retorno financeiro, os pesquisadores acreditam que a Vodka Atomik possa brindar estas famílias com uma fonte alternativa de renda.