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Livro de Bolton coloca pressão sobre aliados de Trump em julgamento

Livro de Bolton coloca pressão sobre aliados de Trump em julgamento

Senadores do Partido Republicano foram pressionados novamente nesta segunda-feira (27) para permitir os depoimentos de testemunhas no julgamento de impeachment de Donald Trump, enquanto a defesa do presidente procurou atacar as acusações dos democratas de que ele teria promovido uma campanha de pressão contra a Ucrânia para seus próprios fins políticos.

Uma reportagem do New York Times levou a novos pedidos dos democratas para que testemunhas possam depor no julgamento. O jornal relatou que o ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton escreveu em um livro ainda não publicado que o presidente Trump havia ordenado que ele congelasse as verbas de auxílio de segurança à Ucrânia até que o governo de Kiev o ajudasse com investigações que o beneficiassem politicamente.

O senador republicano Mitt Romney, por vezes crítico a Trump, disse que havia uma crescente tendência entre pelo menos quatro senadores republicanos para que Bolton fosse chamado a testemunhar, o que poderia garantir aos democratas os votos necessários para convocá-lo.

Os republicanos do Senado até agora se recusaram a permitir que qualquer testemunha ou nova evidência seja apresentada no julgamento que irá determinar se Trump será ou não removido do cargo.

Defesa de Trump

A equipe jurídica de Trump retomou sua apresentação de seus argumentos iniciais no processo, incluindo a participação de Ken Starr, o ex-procurador independente cuja investigação sobre um escândalo sexual pavimentou o caminho para o processo de impeachment do ex-presidente Bill Clinton, em 1998. Uma outra advogada de Trump, Jane Raskin, também fez uma defesa de seu advogado pessoal Rudy Giuliani.

Bolton escreveu no manuscrito que Trump havia dito a ele que queria congelar a verba de 391 milhões de dólares em auxílio de Segurança à Ucrânia até que Kiev ajudasse em investigações sobre democratas, entre eles o ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho, Hunter Biden, segundo a notícia do Times.

Abuso de poder

Os democratas dizem que Trump utilizou a verba — aprovada pelo Congresso dos EUA para ajudar a Ucrânia a combater separatistas apoiados pela Rússia — como moeda de troca para conseguir que um outro país o ajudasse a difamar um rival político doméstico. Biden é um dos principais pré-candidatos democratas na corrida presidencial para enfrentar Trump nas eleições de novembro.

Trump nega ter dito a Bolton que buscava utilizar a verba de auxílio para pressionar o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy a investigar os Bidens sobre alegada corrupção. Hunter Biden trabalhou para uma empresa ucraniana de energia enquanto seu pai era vice-presidente dos Estados Unidos.

"Eu acredito que seja cada vez mais provável que outros republicanos se juntem àqueles de nós que pensam que nós deveríamos ouvir o que John Bolton tem a dizer", disse Romney a jornalistas.

Outra senadora republicana moderada, Susan Collins,  disse que a reportagem sobre o livro de Bolton fortalecem os argumentos por testemunhas.

O presidente do Comitê Judiciário do Senado, Lindsey Graham, um republicano aliado de Trump, disse que apoiaria emitir uma intimação para obter o manuscrito de Bolton, disse um jornalista da CNN no Twitter.

A Câmara dos Deputados, controlada pelos democratas, aprovou o impeachment de Trump no mês passado por acusações de abuso de poder em suas negociações com a Ucrânia e de obstrução do Congresso, levando ao julgamento no Senado, controlado pelos republicanos.

É esperado que Trump seja absolvido no Senado, que tem 100 membros e onde os republicanos detêm 53 vagas. É preciso o voto de dois terços dos senadores para que o presidente seja removido do cargo.

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