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Johnson recusa investigar assessor que furou quarentena

Johnson recusa investigar assessor que furou quarentena

O primeiro-ministro do Reino Unido, o conservador Boris Johnson, rejeitou nesta quarta-feira (27), perante o comitê principal do Parlamento, mandar o governo investigar seu conselheiro Dominic Cummings por ter quebrado o confinamento contra o coronavírus e pediu aos deputados que "virem a página" sobre o escândalo.

"Não tenho certeza se uma investigação sobre esse assunto é um bom uso do tempo neste momento", disse Johnson, que enfrentou críticas de deputados da mesma formação por manter seu apoio incondicional a Cummings, ideólogo do Brexit.

O conservador Simon Hoare alertou que os cidadãos britânicos podem agora não respeitar tanto o confinamento, se os contágios aumentarem, diante da percepção de que o braço direito do primeiro-ministro quebrou as regras sem consequências.

Johnson compareceu por videoconferência perante o Comitê de Ligação da Câmara dos Comuns, onde foi previamente agendado para responder as perguntas das mais de 30 comissões parlamentares restantes.

Em várias ocasiões, o primeiro-ministro insistiu na necessidade de "deixar de lado" a "distração" que gerou a polêmica sobre Cummings para se concentrar na luta contra a covid-19, que até agora deixou 37.460 mortos no país, depois de registrar hoje 412 novos óbitos e 2.013 novas infecções.

A quebra da quarentena

O influente conselheiro admitiu que viajou mais de 400 quilômetros de Londres para se isolar em uma propriedade vizinha à de seus pais, no norte da Inglaterra, quando sua esposa começou a mostrar sintomas do novo coronavírus, a fim de receber ajuda nos cuidados do filho de 4 anos.

Ele também admitiu que dias depois levou sua família de carro para uma cidade turística a 50 quilômetros do local, onde ficaram isolados, argumentando que ele queria verificar se sua visão não foi danificada depois de ter superado a doença.

Essas viagens foram realizadas entre 27 de março e 12 de abril, quando a população do Reino Unido estava confinada e o governo havia ordenado que todos ficassem em casa, exceto por razões excepcionais.

A mídia britânica também acusou Cummings de ter retornado ao norte da Inglaterra mais tarde, quando já havia voltado a trabalhar em Londres, mas ele negou ter realizado outras viagens.

"Muito do que foi escrito desde sábado e domingo a respeito do meu conselheiro era falso, não estava correto", enfatizou Boris Johnson.