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Huawei vira ponto de discórdia em tensão comercial entre EUA e China

Huawei vira ponto de discórdia em tensão comercial entre EUA e China

Governo norte-americano acusa a fabricante de celulares de ter profundos laços com o Partido Comunista chinês; Pequim nega as aformações

Huawei vira ponto de discórdia em tensão comercial entre EUA e China

  • Reuters
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      Os Estados Unidos e a China tiveram uma discussão acalorada nesta quinta-feira (23), com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, acusando o presidente-executivo da Huawei de mentir sobre os laços da empresa com o governo comunista, e Pequim dizendo que Washington deve terminar com suas "ações equivocadas" se quiser que as negociações comerciais continuem.

      Os Estados Unidos colocaram a Huawei numa lista negra de negócios na semana passada, proibindo empresas norte-americanas de fazer negócios com a maior fabricante de equipamentos de rede de telecomunicações do mundo e escalando uma batalha comercial entre as duas maiores economias do mundo.

      Pompeo disse à CNBC que o presidente-executivo da Huawei mentiu quando disse que não há vínculo da empresa com o governo de Pequim e acredita que mais companhias dos EUA cortarão os laços com a gigante de tecnologia.

      "A empresa está profundamente ligada não apenas à China, mas ao Partido Comunista Chinês. E a existência dessas conexões coloca em risco a informação americana que atravessa essas redes", disse Pompeo à CNBC.

      "Se você colocar suas informações nas mãos do Partido Comunista Chinês, é de fato um risco real. Eles podem não usá-las hoje, mas podem fazê-lo amanhã."

      Parlamentares dos EUA se mobilizaram para fornecer US$ 700 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) em subsídios para ajudar os fornecedores de telecomunicações dos EUA com os custos de remover equipamentos Huawei de suas redes e bloquear o uso de equipamentos ou serviços das empresas de telecomunicações chinesas Huawei e ZTE em redes 5G de próxima geração.

      A China revidou.

      "Se os Estados Unidos quiserem continuar as negociações comerciais, devem mostrar sinceridade e corrigir suas ações equivocadas. As negociações só podem continuar com base na igualdade e no respeito mútuo", disse o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng.

      "Vamos acompanhar de perto os desenvolvimentos relevantes e preparar as respostas necessárias", disse ele, sem dar detalhes.

      Nenhuma reunião entre os principais negociadores chineses e norte-americanos foi marcada desde 10 de maio, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu as tarifas sobre US$ 200 bilhões (cerca de R$ 800 bilhões) em bens chineses e tomou medidas para taxar todas as importações chinesas restantes.

      Sem resolução à vista, o secretário da Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, anunciou um programa de ajuda de US$ 16 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) para ajudar fazendeiros dos EUA que foram prejudicados pela guerra comercial, com alguns fundos para abrir mercados fora da China para produtos norte-americanos.

      Os agricultores estão entre os mais afetados pela guerra comercial EUA-China, embora os varejistas também estejam alertando que a última rodada de tarifas potenciais aumentará os preços para muitos de seus consumidores.

      Washington elevou as tarifas existentes sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses para 25%, ante 10%, o que levou Pequim a retaliar com suas próprias taxações sobre as importações norte-americanas.

      Trump ameaçou impor tarifas de até 25% sobre uma lista adicional de importações chinesas no valor de 300 bilhões de dólares (cerca de R$ 1,2 trilhão), mas o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse na véspera que espera que os dois lados retomem as negociações.

      Espera-se que Trump se encontre com o presidente chinês, Xi Jinping, na cúpula do G20 no Japão, de 28 a 29 de junho.

      Dois navios da Marinha dos EUA também navegaram pelo Estreito de Taiwan na quarta-feira, no mais recente ato de uma série de "operações de liberdade de navegação" para enfurecer Pequim.

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