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Comparação feita por ministro é criticada pela comunidade judaica

Comparação feita por ministro é criticada pela comunidade judaica

A declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, comparando operação da PF (Polícia Federal) brasileira à trágica Noite dos Cristais, ocorrida durante o regime nazista em 1938, na Alemanha, foi duramente criticada pela comunidade judaica no Brasil.

"A banalização do Holocausto indigna toda a comunidade judaica e é um desrespeito a todos aqueles que perderam suas vidas na Alemanha nazista apenas por sua condição religiosa. Não há termo de comparação entre as fábricas da morte e as leis de exceção contra os judeus e qualquer sistema político hoje existente. Que aqueles que fazem esta comparação reflitam um pouco antes de soltá-las", declarou ao R7 o presidente executivo da Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo), Ricardo Berkiensztat.

A Conib (Confederação Israelita do Brasil), em nota, descreveu a destruição causada por aquele ato nazista. E, no trecho final, demonstrou sua indignação, citando nominalmente o ministro.

"A comparação feita pelo ministro Abraham Weintraub é, portanto, totalmente descabida e inoportuna, minimizando de forma inaceitável aqueles terríveis acontecimentos, início da marcha nazista que culminou na morte de 6 milhões de judeus, além de outras minorias."

Já o cônsul-geral de São Paulo e Região Sul do Brasil, Alon Lavi, publicou pelo menos duas declarações contestando a comparação feita pelo ministro.

"O Holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade política no mundo", declarou o diplomata em uma delas.

Outras fontes da diplomacia israelense, ao R7, explicam que a contestação das declarações de Weintraub não tem a intenção de criticar o governo brasileiro, mas que esse tema do Holocausto é um assunto muito sensível para israelenses e judeus.

Com o mesmo tom crítico, a Embaixada de Israel no Brasil divulgou uma nota a respeito:

"Houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e também a tragédia do povo judeu, que terminou com o extermínio de 1/3 do nosso povo por ódio e ignorância dos nazistas e seus colaboradores.

Em nome da amizade forte entre nossos países, que cresce cada vez mais há 72 anos, requisitamos que a questão do Holocausto como também o povo judeu ou judaísmo fiquem à margem do diálogo político cotidiano e as disputas entre os lados no jogo ideológico", diz um trecho do comunicado.

A comparação feita por Weintraub, nas redes sociais, foi publicada na última quarta-feira (27), quando a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em inquérito que apura a disseminação de "fake news" e ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal brasileiro.

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