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Cinco pontos para entender a eleição-geral da Austrália

Cinco pontos para entender a eleição-geral da Austrália

As questões mais importantes que estarão em jogo na eleição nacional australiana, que acontece terá a participação de 16 milhões de eleitores

Cinco pontos para entender a eleição-geral da Austrália

Da EFE

Mais de 16,2 milhões de australianos estão aptos para votar nas eleições gerais deste sábado (18) na Austrália, país que registra um crescimento econômico ininterrupto há quase 30 anos e que precisa lidar com a imigração e a mudança climática.

Estas são os cinco principais pontos das eleições:.

Desde 2007, nenhum primeiro-ministro australiano conseguiu completar um mandato. Em 2010, Julia Gillard desbancou o então primeiro-ministro, Kevin Rudd, por conflitos internos no Partido Trabalhista que três anos depois serviram para Rudd devolver na mesma moeda e tirá-la do cargo.

Após ganhar as eleições em 2013, o liberal Tony Abbott também passou pelas turbulências das intrigas dentro da legenda. Em 2015, ele perdeu a liderança do partido para Malcolm Turnbull, que três anos depois renunciou devido a uma crise no governo e foi substituído por Scott Morrison.

Abbott, que está por trás da última revolta contra Turnbull, não descarta assumir novamente a liderança do Partido Liberal, embora nestas eleições corra o risco de perder a cadeira de parlamentar que ocupa desde 1994.

A mudança climática e a política energética têm sido um calcanhar de Aquiles tanto dos governos do Partido Trabalhista como da coalizão Liberal-Nacional há mais de uma década.

O governo de Gillard foi fortemente criticado devido a um imposto sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2), enquanto a coalizão conservadora é questionada por favorecer o uso do carvão para a geração de energia e argumentar que as energias renováveis aumentam o preço das tarifas de eletricidade.

O pleito coincide com um fortalecimento dos protestos populares, que exigem medidas contra a mudança climática e rechaça o projeto de uma mina de carvão perto da Grande Barreira de Coral, um Patrimônio da Humanidade situado no nordeste da Austrália.

A Austrália, que registra quase 30 anos de crescimento econômico ininterrupto, prevê uma leve melhora do PIB, que no ano passado cresceu 2,3%. A expectativa é que alcance 3% em 2021.

Embora o desemprego se mantenha estável em 5%, os trabalhadores enfrentam uma estagnação do aumento salarial e o alto custo de vida, principalmente de habitação, o que dificulta o aluguel para as pessoas de baixa renda e a compra para as famílias de classe média.

A coalizão propõe manter o crescimento econômico e reduzir os impostos, além de gerar mais empregos com projetos de mineração e o desenvolvimento dos estaleiros.

Já os trabalhistas apostam em oferecer melhores oportunidades aos trabalhadores com acesso gratuito a creches, investimento em hospitais e escolas, e aumento dos salários.

Com mais de 24 milhões de habitantes, concentrados principalmente na faixa litorânea do sudeste, a Austrália tem na imigração e no controle demográfico alguns dos principais assuntos de debate.

A chegada de estrangeiros, sobretudo nas cidades de Sydney e Melbourne, e a pressão sobre as infraestruturas levou o governo a reduzir a cota anual de imigrantes permanentes de 190 mil para 160 mil e a adotar medidas para promover a migração a cidades do interior e de zonas rurais.

As políticas de imigração, marcadas pelo envio de solicitantes de asilo a centros de detenção em Nauru e Papua Nova Guiné, no Oceano Pacífico, tiveram um ponto de inflexão após as reivindicações de médicos, políticos e parte da população para melhorar o tratamento dos imigrantes, o que resultou em uma lei para facilitar as transferências por razões médicas à Austrália.

O governo conservador defende o controle de fronteiras para evitar também a entrada de possíveis terroristas, mas suavizou o discurso após o ataque supremacista ocorrido na Nova Zelândia em março, cometido por um australiano que matou 51 pessoas.

A Austrália é um aliado histórico dos Estados Unidos, país com o qual mantém uma longa e sólida parceria militar, de segurança e inteligência, e com o qual atualmente participa de operações no Oriente Médio.

Além disso, a Austrália é vista como a força armada de Washington nesta região do Pacífico, marcada pelas disputas territoriais e a crescente influência chinesa.

A China é o principal parceiro comercial da Austrália, que é a principal fonte de recursos naturais do gigante asiático.

Ambos os países têm uma relação tensa pelas recentes leis contra a ingerência chinesa na política interna australiana e as suspeitas de Camberra sobre atividades de espionagem e ataques hackers.

Também são motivos de preocupação para a Austrália os investimentos chineses no país, a militarização do mar da China Meridional e a prisão de ativistas em território chinês.

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