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Ato em memória do Holocausto tem mais políticos que sobreviventes

Ato em memória do Holocausto tem mais políticos que sobreviventes

A delegação ucraniana abriu mão de suas cadeiras no Fórum Mundial do Holocausto que ocorre nesta quinta-feira (23), devido ao descontentamento dos sobreviventes que não foram convidados para um evento com mais políticos do que aqueles afetados pela tragédia. O fórum reúne mais de 40 líderes mundiais em Jerusalém

"Soubemos que muitos sobreviventes do Holocausto não puderam estar presentes no Fórum Mundial. A nossa delegação lhes ofereceu os nossos lugares, como fizeram muitos ministros israelenses. Essas pessoas merecem todas as honras", disse o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, no Twitter.

A imprensa de Israel repercutiu recentemente o descontentamento dos sobreviventes que tinham pedido para participar do encontro e não foram convidados devido à falta de espaço.

O evento histórico de hoje em homenagem às vítimas da tragédia contaria com 700 convidados, apenas uma centena deles sobreviventes, num país onde residem mais de 200 mil pessoas que sofreram perseguição pelo regime nazista.

"Lamento que nem todos tenham podido vir porque cada sobrevivente é um milagre. Não sei porque me pediram para estar presente, me pediram para falar, mas o Yad Vashem está aberto e à procura de sobreviventes", declarou à Agência Efe Rena Quint, 84 anos, uma das poucas protagonistas convidadas para a cerimônia.

"E estas festividades? O campo de Auschwitz foi uma celebração? Antes de mais nada, eles mesmos devem cuidar dos sobreviventes", afirmou Tamar Livni, de 86 anos e residente em Haifa, ao jornal "Maariv". "Eu reclamo quando vejo que ao invés de cuidar dos sobreviventes do Holocausto, milhões estão sendo gastos em cerimônias", acrescentou.

Nos mesmos termos, o sobrevivente Avi Albahari, de 83 anos, criticou o dinheiro empregado no que ele definiu como "eventos chamativos": "No mesmo dia em que comemoram a libertação de Auschwitz-Birkenau, o país ignora esses mesmos sobreviventes", reclamou.

Segundo a organização Aviv for Holocaust Survivors, um quarto dos sobreviventes do Holocausto em Israel vive abaixo da linha da pobreza. Embora haja um alto nível de integração, muitos foram excluídos do mercado de trabalho, entre outros fatores, por causa das consequências da tragédia.

São 50 delegações internacionais e 41 chefes de Estado e de Governo participando hoje do Fórum Mundial do Holocausto, que em sua quinta edição é marcado pela comemoração da libertação do maior campo de morte nazista há 75 anos.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, o presidente da França, Emmanuel Macron, o presidente da Rússia, Validimir Putin, e o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, assim como o príncipe Charles da Inglaterra, falariam hoje durante o evento histórico.

Também estava previsto que as sobreviventes Rose Moskowitz e Colette Avital acenderiam uma tocha em memória das aproximadamente 6 milhões de vítimas, e o sobrevivente Naftali Deutch recitará o Kaddish, uma oração de luto judaica.

O rei de Espanha, Felipe VI, e o presidente da Argentina, Alberto Fernández, também estão presentes na cerimônia de hoje, que visa enviar uma mensagem clara contra o antissemitismo, o racismo e o extremismo.