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A carreira e as polêmicas de Boris Johnson, que lidera a corrida ao governo britânico

A carreira e as polêmicas de Boris Johnson, que lidera a corrida ao governo britânico

Ex-prefeito de Londres e ex-chanceler, Johnson foi um dos líderes da campanha pró-Brexit e hoje é o mais forte concorrente ao posto de premiê do Reino Unido

Ex-prefeito de Londres e ex-chanceler, Johnson foi um dos líderes da campanha pró-Brexit e hoje é o mais forte concorrente ao posto de premiê do Reino Unido.

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      A disputa por Downing Street, a sede do governo britânico, tem um claro favorito: Boris Johnson, ex-secretário das Relações Exteriores e ex-prefeito de Londres, é o mais cotado para assumir o posto de premiê deixado vago por Theresa May, que renunciou em meio aos impasses nas discussões dos termos de saída do Reino Unido da União Europeia (o Brexit).

      Nesta quinta-feira (20/6), Johnson venceu a quinta rodada de votação entre os parlamentares do Partido Conservador, que governa o país, com 160 votos, contra 77 votos obtidos pelo atual chanceler Jeremy Hunt, o único político restante na briga pelo posto de premiê.

      O próximo passo é submeter os nomes de Johnson e Hunt aos cerca de 124 mil integrantes ativos do Partido Conservador, que decidirão - em voto por correspondência - quem vai assumir o governo britânico na semana de 22 de julho.

      "Estou ansioso por andar por todo o Reino Unido para apresentar meu plano de concretizar o Brexit, unir o país e criar um futuro mais brilhante para todos nós", tuitou Johnson nesta quinta.

      Tanto Johnson quanto Hunt são defensores do Brexit e prometeram implementá-lo o mais rapidamente possível - lembrando que o prazo atual, já renegociado duas vezes, para a saída britânica da UE é 31 de outubro.

      Mas o vencedor herdará também a crise política que permeia o Brexit e que já derrubou dois premiês (além de May, David Cameron, que renunciou diante dos resultados pró-Brexit do plebiscito realizado em 2016).

      Johnson é conhecido por seu cabelo desgrenhado, algumas gafes, frases polêmicas e o gosto pelos holofotes, ao mesmo tempo em que é popular entre uma parcela relevante do Partido Conservador. Segundo analistas da política britânica, há tempos ele almeja o cargo de premiê.

      Johnson nasceu em Nova York, em 1964, e até pouco tempo tinha dupla nacionalidade britânico-americana. Segundo a agência France Presse, sua irmã Rachel dizia que desde criança ele queria ser "o rei do mundo".

      Já na Inglaterra, Johnson estudou em Eton, centenária e prestigiosa escola privada, e depois na Universidade Oxford - percurso tradicional entre personagens da elite política britânica.

      Na universidade, integrou, junto a David Cameron, o famigerado Bullingdon Club, um antigo clube exclusivo para estudantes homens - em geral, ricos -, conhecido por suas festas regadas a bebida e confusão.

      Johnson começou sua vida profissional como jornalista do periódico The Times, de onde foi demitido após ter sido acusado de inventar uma frase de um entrevistado. Ele se tornou conhecido no meio jornalístico como correspondente em Bruxelas do jornal The Daily Telegraph.

      Ele entrou definitivamente para o cenário político em 2001, quando foi eleito parlamentar. Três anos depois, foi demitido de um alto posto na hierarquia do Partido Conservador por ter supostamente mentido a respeito de um caso extraconjugal.

      Mas foi reeleito para o cargo no ano seguinte e, em 2008, conquistou o posto de prefeito de Londres, que ocuparia por oito anos. A essa altura, já era nacionalmente conhecido apenas como Boris.

      Johnson voltou ao Parlamento em 2015, eleito por um subúrbio do noroeste de Londres. No plebiscito de 2016, a respeito da permanência do Reino Unido na UE, Johnson foi umas das principais figuras políticas a apoiar o voto pró-Brexit, que acabaria sendo vitorioso.

      Com a saída do premiê David Cameron, Johnson foi um dos cotados a assumir o governo em 2016, mas acabou sendo passado para trás depois de perder o apoio de seu coordenador de campanha, Michael Gove, que questionou sua capacidade de liderança.

      O posto acabou ficando com Theresa May, e Johnson se tornou secretário das Relações Exteriores.

      Johnson foi chanceler por dois anos e deixou o posto depois de várias desavenças públicas com May por conta do Brexit.

      Em junho de 2018, por exemplo, ele declarou que a então premiê precisava mostrar "mais coragem" nas negociações com a UE e insinuou que o presidente americano, Donald Trump, seria capaz de fazer um trabalho melhor do que May.

      Johnson tem dito que, se for escolhido premiê, se comprometerá com o prazo do Brexit de 31 de outubro, mesmo na ausência de um acordo com o bloco europeu.

      "Caso contrário, enfrentaremos uma catastrófica perda de confiança na política", declarou.

      Ele também disse que se recusará a pagar a "conta" do Brexit - uma soma de 39 bilhões de libras que a UE exige como compensação - a não ser que sejam oferecidos termos de negociação mais favoráveis ao Reino Unido.

      Entre as falas mais polêmicas e criticadas de sua carreira política estão a vez em que ele se referiu a homossexuais como "bumboys" (bum, em inglês, é usado para se referir tanto às nádegas quanto a "vagabundos"); quando usou o termo pejorativo "piccaninnies" para falar de crianças africanas negras e quando declarou que muçulmanas com o véu que deixa só olhos a vista se assemelhavam a "caixas de correio".

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