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Vídeo registrou ação | PMs agridem alunos dentro de escola em São Paulo

Vídeo registrou ação | PMs agridem alunos dentro de escola em São Paulo

Imagens divulgadas em redes sociais mostram policiais militares agredindo dois jovens na escola estadual Emygdio de Barros, no Rio Pequeno, na zona oeste de São Paulo, na noite de ontem.

A PM (Polícia Militar) disse que irá afastar os agentes envolvidos na ocorrência. Nas imagens, aparecem ao menos cinco PMs. Eles chegaram a mostrar a arma para outros estudantes.

As cenas mostram um dos rapazes sendo dominado por um policial com uma gravata. Um outro aluno é agredido com socos enquanto outro policial, por trás, dá uma rasteira nele, que cai no chão. Ainda caído, ele é chutado.

Em vídeo, o jovem agredido com socos mostrou os ferimentos na boca, na canela da perna direita e na testa. No hospital, ele diz que foi informado apenas de que os ferimentos vão cicatrizar e que estava liberado.

A versão da PM

De acordo com o boletim de ocorrência, a partir dos relatos dos policiais, "um ex-aluno se recusava a sair da sala de aula". A diretora, então, acionou a PM. O jovem teria entrado em outras salas, gerando tumulto, de acordo com o documento. Na sequência, um outro estudante tentou agredir um policial, que usou spray de pimenta "para deter o avanço de um grupo de alunos".

Um terceiro aluno, não identificado, teria falado que estava armado. Por esse motivo, os policiais justificam terem mostrado a arma para os estudantes. "O policial viu a necessidade de sacar a arma e fazer cessar a ação". "A atitude se fez necessária, tendo em vista a proteção de sua integridade física", traz o boletim.

Na saída da escola, estudantes teriam atirado "carteiras, cadeiras e demais objetos disponíveis sobre os policiais".

A versão da diretora

À Polícia Civil, a diretora disse que o jovem foi desligado da escola por falta de frequência. Ele, um jovem de 18 anos, deveria fazer nova inscrição e aguardar por uma vaga. A entrada dele na escola foi proibida. "Mas este [o jovem] a desobedeceu, adentrou o estabelecimento, e se recusou a sair".

A diretora apresentou uma ata do conselho da escola, de dezembro de 2019, em que "existe a sugestão de afastamento [do jovem] em razão de indisciplinas variadas"

A versão dos jovens

Segundo relatos ouvidos pelo UOL, um jovem de 18 anos foi à escola na última segunda-feira (17), mas seu nome não constava na lista. A matrícula, porém, teria sido feita, sendo autorizado pelo vice-diretor a permanecer no local.

"Ontem (18), a diretora chegou, disse que ele não havia sido matriculado e pediu que ele saísse da escola", disse ao UOL o presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), órgão do governo de São Paulo, Dimitri Sales. Ele acompanha o caso dos jovens.

O jovem, porém, disse que tinha a prova de que estava matriculado e se recusou a deixar a escola. A diretora, então, chamou a PM. "A polícia tenta pegar o jovem para tirá-lo da escola, há uma reação dos colegas, principalmente, do adolescente de 17 anos, que tenta questionar o que está acontecendo. Ele também apanha grosseiramente."

Para Sales, essa "foi mais uma ação desastrosa da Polícia Militar, permeada por muita violência e abuso de autoridade".

"Ali não era o lugar adequado para aquela violência toda, estavam lá para servir o serviço de policial. Não levar violência. Me pergunto como mãe, será que dentro da escola é um lugar seguro?", disse à TV Globo Raquel Rodrigues, mãe de um dos jovens agredidos.

A PM disse que "o comandante da área, assim que tomou conhecimento, determinou a imediata instauração de inquérito policial militar para a rigorosa apuração dos fatos". "O comandante também afastará os envolvidos da atividade operacional até o término das investigações".

Hoje pela manhã, alunos na escola protestaram e gritaram frases como "ih, fora".

Em nota, a secretaria estadual de Educação também disse que vai apurar o episódio e que colabora com a polícia para esclarecer o fato.