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Tinha asma | Na linha de frente, médica de 29 anos morre de covid em MT

Tinha asma | Na linha de frente, médica de 29 anos morre de covid em MT

A médica Monique Silva Batista, 29, morreu vítima da covid-19 na noite de ontem, no Hospital Amecor, em Cuiabá. Ela estava internada em um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) há quase um mês e atuava na linha de frente no hospital Coração de Jesus, em Campo Verde (MT), a 140km da capital.

Monique tinha asma e, devido à dificuldade de respirar causada pela covid-19, foi rapidamente intubada no hospital. Segundo amigos, a médica foi infectada trabalhando no atendimento a pacientes infectados pelo novo coronavírus. A família não divulgou o local onde o corpo da jovem será velado ou enterrado.

Monique nasceu em Uberaba (MG). Em 2013, ingressou na faculdade de medicina da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), em Cuiabá. Após a formatura, celebrada no ano passado, a jovem começou a trabalhar como plantonista no hospital Coração de Jesus. Ela também atuava no Programa de Saúde da Família e Unidade Sentinela, na zona rural de Campo Verde.

Em nota, o hospital Coração de Jesus destacou a dedicação da médica com os pacientes: "Monique lutou bravamente, assim como ela fazia no dia a dia em seu trabalho, que realizava com paixão. Sempre atendia a todos com muito carinho e profissionalismo. Infelizmente, Dra. Monique Silva Batista foi mais uma vítima de complicações da covid-19. Ela tinha asma. Que sua luta e trabalho não sejam em vão".

A prefeitura de Campo Verde ressaltou que a médica era "excelente profissional e um grande ser humano", trabalhava com dedicação e, atualmente, atuava cuidando de pacientes com covid-19. "Infelizmente, apesar de toda sua luta e de todo o pensamento positivo e orações feitas por centenas de pessoas que a conheciam, e também de quem não conviveu com ela, mas sabia de sua luta pela vida, que durou cerca de 30 dias desde os primeiros sintomas da doença, o vírus foi mais forte".

A faculdade de Medicina da UFMT afirmou que Monique foi uma de suas melhores alunas e que atuava com humanidade atendendo os pacientes. "Era um ser humano de luz e uma médica excepcional. Tão incrível que cuidou carinhosamente de muitos pacientes com covid-19, até que ela mesma se tornou paciente da doença, que já interrompeu mais de 100 mil sonhos no Brasil."

Hoje nossa casa FM UFMT Cuiabá está em luto. Luto porque perdemos uma de nós, e uma das melhores. Monique Silva Batista, nossa ex aluna da turma 53, era um ser humano de luz e uma médica exepcional. Tão incrível que cuidou carinhosamente de muitos pacientes com COVID 19, até que ela mesma se tornou paciente da doença, que já interrompeu mais de 100 mil sonhos no Brasil. Estava internada há quase 1 mês, mas lutou bravamente até o último instante da sua vida. Não esperávamos menos, essa era nossa Monique: forte, batalhadora, alegre, dedicada. Que falta ela fará. Nós, do CAMED XIII de Abril, esperamos que Deus conforte sua família e amigos. Aproveitamos pra deixar nosso muito obrigado à Monique, que alegrou nossos dias e salvou a vida de muitas pessoas. Se puderem, por favor fiquem em casa.

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Monique discutia e relatava, em redes sociais, casos de pacientes em tratamento contra o novo coronavírus. Em uma das publicações sobre a doença, a médica disse que o novo coronavírus é agressivo e fatal. A covid-19 é "uma doença grave, virulenta, real, agressiva e potencialmente fatal do ateu ao candomblé. Do jovem ao velho. Homem ou mulher. O rico ou pobre. Um acometimento sem qualquer estratificação social. Avassalador", escreveu a médica.

Monique era noiva do engenheiro agrônomo Arthur Varmeling. O casal criava dois cachorros e três gatos.

Amigos e familiares lamentaram a morte da médica. Eles destacaram o amor que ela tinha por tudo que fazia, seja como médica ou como amiga. "Monique era um ser de luz que encantava a todos por onde passava. Sei que agora ela está descansando em um lugar melhor", disse a prima de Monique, Milena Brasileiro.

O médico e colega Paulo Otávio Almeida disse que Monique "travou suas últimas lutas contra a covid-19 no interior do nosso estado." "Desde o começo de toda pandemia, não se eximiu do discurso de Hipócrates até sucumbir ao que ainda não há completo domínio do homem", ressaltou.

Almeida destaca que a jovem era um ser humano — e não era um número. "Monique não era apenas médica. Antes de tudo, a mineira Monique também era filha de Luiz e Vera. Irmã de Letícia. Noiva de Arthur. Deixou para trás aquele que eram seus xodós: Thor, Jhonny, Ted, Julie e Clara. Monique não é apenas um número. Era filha, irmã, noiva e amiga de muitos", enfatizou.