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P. Lobaccaro | Irmã Dulce e a captação de recursos

P. Lobaccaro | Irmã Dulce e a captação de recursos

Na semana em que Irmã Dulce foi canonizada pelo Vaticano, Nizan Guanaes disse que ela era  merecedora de um estudo de caso em Harvard. A freira baiana foi a primeira mulher brasileira a se tornar santa e sua obra social, que começou num galinheiro nos fundos do convento, hoje é uma das maiores instituições filantrópicas com atendimento 100% gratuito do Brasil.

A iniciativa Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), fundada em 1959, hoje faz cerca de 3,5 milhões de procedimentos por ano e conta com 21 núcleos que promovem saúde, educação e assistência social.  O hospital conta com mil leitos, faz 18 mil internamentos e realiza 2 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano. O Centro Educacional Santo Antônio nasceu como um orfanato e hoje é uma escola de tempo integral e oferece acesso a arte-educação, inclusão digital, atividades esportivas. A entidade responde também pelo Centro de Convivência Irmã Dulce dos Pobres, localizado no Centro Histórico de Salvador.

Uma obra desse tamanho não sobrevive só com bondade. Obras sociais precisam de recursos. E o "anjo bom da Bahia", como era conhecida, sabia captar.

E o que podemos aprender com ela sobre  arrecadação de recursos?

Paixão pela causa acredito que seja o ingrediente número um. Quando se acredita na causa é possível perceber o brilho nos olhos de quem está pedindo a doação. Captar recursos é antes de tudo compartilhar sonhos.

Networking também é fundamental. Ela circulava em vários grupos, de presidentes, militares, ricos e poderosos e não tinha vergonha de pedir dinheiro.

Comprometimento, dedicação e disciplina são imprescindíveis. Segundo Nizan, era santa com os pobres, mas pragmática com os ricos. Ele conta que ela ficava na sala de espera do futuro doador e só saía de lá quando o próprio se dignava a recebê-la. Dizem que ela até cantava em praça pública para conseguir recursos para sua obra.

Ela era também a principal embaixadora da sua causa. Irmã Dulcenão gostava de imprensa, mas, quando percebeu que sua imagem "vendia"passou a usá-la para captar recursos.  Ângelo Calmon de Sá, que foi um dos grandes apoiadores de Irmã Dulce e integra o Conselho de Administração da OSID, conta que um documentário sobre ela exibido na Rede Globo em 1982 trouxe muita visibilidade para a causa e ajudou a fechar as contas naquele ano.  Sua imagem ganhou mais força quando foi indicada pela Rainha Silvia da Suécia e o ex-presidente José Sarney para receber o Prêmio Nobel da Paz. 

Depois de sua morte, em 1992, a entidade continua precisando de recursos, tendo encerrado o ano de 2018 com um deficit de R$11 milhões. Para apoiar a instituição, acesse o link.