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Operação em andamento | Militares são recebidos a tiros ao entrar em favela quartel-general do CV

Operação em andamento | Militares são recebidos a tiros ao entrar em favela quartel-general do CV

As Forças Armadas participaram de uma intensa troca de tiros com traficantes na madrugada desta sexta-feira (17) em meio a uma operação ainda em andamento no Complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro - o quartel-general da principal facção criminosa do estado, o Comando Vermelho.

A ação começou no fim da noite de quinta-feira (16) e envolve 235 militares das Forças Armadas e 70 policiais civis, segundo o Comando Conjunto da intervenção federal. Eles utilizam helicópteros e blindados de transporte de tropas.

Desta vez, os militares usam efetivo reduzido em comparação com operações anteriores - que chegaram a ter mais de 5 mil combatentes agindo em conjunto. O objetivo era evitar vazamentos de informações que prejudicassem a operação, segundo uma fonte militar.

Mas, apesar do número de agentes ser menor que em outras operações, foram selecionadas tropas de elite altamente treinadas, disse a fonte.

Moradores do complexo do Alemão começaram a relatar em redes sociais a presença de helicópteros e sons de tiros por volta das 2h. "Já saí do quarto, foi muito tiro na Canitar [região do Complexo do Alemão]. Deus livre e guarde a todos", escreveu uma moradora no Facebook.

"Helicóptero está sobrevoando. Deus proteja os inocentes", afirmou outro morador na rede social. "O Exército está entrando no complexo!"

Essa é a primeira operação de grandes proporções das forças de segurança no Complexo do Alemão desde o início da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro há seis meses.

Desde então, os militares já haviam entrado na maior parte das grandes favelas do Rio, entre elas a Rocinha e o Vidigal (zona sul), o Complexo do Lins de Vasconcelos (zona norte), os Complexos da Pedreira e do Chapadão, a Cidade de Deus, a Praça Seca e dezenas de favelas da região de Deodoro (zona sul). A favela da Maré (zona norte) foi alvo de uma operação da Polícia Civil.

O Complexo do Alemão era uma das últimas grandes favelas do Rio não tinha passado pelas chamadas ações emergenciais das Forças Armadas – operações ostensivas que, segundo os interventores, visam enfraquecer as facções criminosas, mas não têm a ambição de resolver o problema estrutural de segurança no estado.

A ação ocorre no período noturno, algo que vinha sendo evitado pelas Forças Armadas. Os militares devem permanecer no local ao menos até o amanhecer para que a Polícia Civil possa tenta cumprir mandados de prisão de criminosos procurados.

UPPS

Quando as Forças Armadas ocuparam os Complexos do Alemão e da Penha entre 2010 e 2012, oito UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) foram instaladas na região, que é habitada por cerca de 167 mil moradores.

O Gabinete de Intervenção Federal já afirmou que não fará nova ocupação prolongada na região.

O órgão anunciou recentemente o fechamento de uma delegacia da Polícia Civil no Alemão. A instalação era alvo constante de ataques de criminosos e, segundo os interventores, tinha uma demanda tão baixa que não justificava a manutenção de todo o aparato policial. Isso porque moradores relutariam em ir até o local para registrar queixas.

Os interventores já anunciaram que pretendem fazer modificações em metade das 28 UPPs criadas desde 2008 no Rio. Quatro delas já passaram por um processo de reestruturação – sendo incorporadas administrativamente a batalhões regulares da Polícia Militar e tendo suas bases físicas transformadas em companhias destacadas.

Nesse processo, mais de 1300 policiais militares que trabalhavam em UPPs foram recapacitados para trabalhar no policiamento de rua. A estimativa da intervenção é que ao todo 2.500 policiais passem por esse processo de recapacitação.

Ainda não está claro porém se a operação iniciada da quinta-feira (16) está relacionada a algum tipo de reestruturação de UPPs do Alemão.