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O motoboy e o racista | Por que o racismo, além de tudo, é ruim para a economia?

O motoboy e o racista | Por que o racismo, além de tudo, é ruim para a economia?

Você viu o vídeo do motoboy que foi entregar comida e foi vítima de racismo dentro de um condomínio. Também deve ter visto o caso do jovem que comprou um relógio para dar de presente de Dia dos Pais e foi agredido por outros dois homens que o acusavam de furto.

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir por que o racismo é ruim para a economia.

Nos últimos dias, houve dois episódios lamentáveis no Brasil envolvendo um assunto que há muito tempo está presente no Brasil: o racismo!

Os dois casos viralizaram nas redes sociais e, apesar de muito tristes, são boas oportunidades para voltarmos a levantar a bandeira de fim da discriminação.

Em um dos vídeos, vemos um entregador de comida por aplicativo sendo hostilizado por quem fez o pedido da refeição. Pouco importam os motivos e tampouco a relativização de que o agressor possivelmente possui transtornos psicológicos: foi um episódio de racismo.

O outro vídeo mostra um jovem sendo acuado por dois homens que o acusavam de furto, sendo que, na verdade, ele havia comprado um relógio para dar de presente de Dia dos Pais.

Claramente, o tema "racismo" não é a especialidade do Econoweek. Mas acho válido dar minha contribuição para a discussão desse tema sob a ótica da economia, que é a especialidade do Econoweek.

Apesar de haver várias abordagens possíveis para combatermos o preconceito, agora, quero levantar alguns argumentos que mostram os impactos perversos do racismo exclusivamente sob a ótica da economia.

Não pretendo esgotar o tema. Ao contrário, gostaria de saber a sua opinião sobre isso e como poderíamos combater esse preconceito de maneira efetiva. Então, deixe sua opinião nos comentários.

E se, em um passe de mágica, não houvesse mais racismo?

Imagine que, da noite para o dia, deixasse de haver preconceito em forma de racismo, o que aconteceria?

A teoria econômica é enfática nesse aspecto. A segurança melhora o ambiente de negócios e favorece a circulação de dinheiro, aumentando a geração de riqueza.

Um estudo feito na Bélgica mostrou que se uma pessoa tiver mais opções de consumo, ela irá gastar mais dinheiro.

Agora, imagine como se sente a população negra em determinados ambientes em que há histórico de hostilização e preconceito. Parte dos negros possivelmente irá preferir não frequentar aquele ambiente. Não porque não gostariam de estar ali. Mas porque não querem correr o risco de ser a próxima vítima.

Se atendo apenas à economia, esse ambiente poderia ser um shopping em que um jovem foi agredido por ser acusado injustamente de um crime que não cometeu ou qualquer outro lugar. Com uma parcela da população evitando esse ambiente para proteger a si, há uma limitação do mercado consumidor para aquelas lojas. Isso, por sua vez, significa menos geração de receita para os lojistas, menor criação de emprego para vendedores e menos consumo da porta do shopping para fora, já que menos comissões de vendas foram geradas.

Obviamente, o combate ao racismo se justifica por si só! E não vejo com bons olhos iniciativas que fingem a inclusão apenas para aumentar seus lucros. Do ponto de vista econômico, porém, o racismo é ruim para os negócios e péssimo para a sociedade.

O racismo é contraproducente

Há ainda outra faceta perversa do racismo. Imagine o exemplo de um funcionário negro que era mais produtivo que seu par, mas não foi promovido por conta de um preconceito. Se não houvesse preconceito, a economia também seria mais produtiva, pois contaria com fatores mais objetivos de promoção.

Nesse exemplo, não é só o funcionário negro que deixou de ser promovido que saiu perdendo. A empresa deixou de ser mais produtiva e, portanto, também deixou de ser mais lucrativa. Por consequência, a sociedade deixou de contar com produtos e serviços melhores dessa empresa por conta do racismo, e também saiu perdendo.

Há ainda fatores históricos que perpetuam a pobreza e o racismo, e que só agravam toda a situação.

E, apesar de eu estar falando apenas do racismo contra o negro, há outras formas de racismo e de preconceitos, seja contra a mulher, contra o homossexual e várias outras frentes. Todas elas atrapalham a economia e machucam a sociedade.

Há diversos aspectos terríveis que sondam o preconceito. A começar pelos sociais. E no econômico não é diferente.

Economicamente, há perda para todos, embora haja uma vítima nitidamente mais prejudicada, que neste caso é a população negra.

Como disse, há reflexos sociais perversos para além da economia, mas vou limitar minha fala apenas aos aspectos econômicos, e deixo o convite para especialistas em outras áreas deixarem sua contribuição positiva.

Mais uma vez, não pretendi esgotar o tema sequer nas razões econômicas de combate ao racismo. Então, também convido você a levantar outros motivos e deixar sua opinião.

Como falam na Rádio USP, "discriminação é falta de conhecimento". E, aqui no Econoweek, sempre falamos que o conhecimento é a melhor saída.

O que você acha disso? Conte nos comentários ou fale com a gente no nosso canal do YouTube, Instagram e LinkedIn. Também é possível ouvir nossos podcasts no Spotify. A gente sempre compartilha muito conhecimento sobre economia, finanças e investimentos. Afinal, o conhecimento é sempre uma saída!